Ciro Gomes admite ser candidato à Presidência
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Ciro Gomes: Eu topo, porque estou nessa lutaO ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes admitiu ontem a possibilidade de sair do PSDB e disputar a Presidência da República pelo PSB. Em entrevista concedida a Globo News, Ciro Gomes disse que pode sair do PSDB, embora não admita o desejo. Acho que a minha luta deve ser aqui dentro, sempre acordo com a esperança de que o partido vai abrir o olho nesse itinerário de desastres no qual estamos caminhando e que vamos reverter isso.
Para Ciro Gomes o PSDB está rompendo um compromisso de partido que era o de crescer nas ruas, com o voto popular e está aceitando adesões fisiológicas completamente descaracterizadoras do perfil moral do partido. Embora admita a dificuldade de se identificar com outro partido, o ex-ministro acenou com a possibilidade de se filiar ao PSB e sair candidato à Presidência da República. Eu topo, porque estou nessa luta, acho que precisamos construir alternativas.
O ex-ministro da Fazenda criticou o desejo do presidente Fernando Henrique Cardoso de se reeleger ao cargo. É péssimo para o Brasil que um candidato já tenha ganho de véspera, tanto mais um candidato que já está manejando o poder.
O presidente Fernando Henrique já convidou Ciro Gomes para uma conversa no Palácio do Alvorada. O encontro deverá ser marcado quando o governador do Ceará, Tasso Jereissati, do PSDB, retornar de viagem ao exterior.
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), disse ontem que a candidatura do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB) é mais viável eleitoralmente do que a do virtual candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, à sucessão presidencial em 98. Não sei se o Ciro é mais aglutinador de votos do que o Lula, mas ele teria maior viabilidade num confronto contra as forças do governo, disse.
Freire disse não estar preocupado com as críticas de que suas articulações estariam dividindo as esquerdas e favorecendo o projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. O que ajuda FHC é as esquerdas ficarem do jeito que estão, se isolando, sem projeto político, como em 94. Freire vê a união PPS e PSB, e descontentes das demais legendas, não necessariamente num partido, como opção mais viável de oposição para o futuro.


