Maria Inês Nassif e Vera Rosa
Agência Estado De Brasília
Não é preciso ser PhD em política para rejeitar a interpretação fácil de que, a três anos das eleições de 2002, o ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PPS), o maior dissidente do ninho dos tucanos, vai manter a sua estrela em ascensão e dominar a disputa para a presidência da República. Nem ele próprio acha isso. ‘‘A essa distância das eleições, as pesquisas não valem nada’’, afirma Ciro.
Mas, segundo apontam os institutos de pesquisas e as inúmeras medidas de pulso do eleitor do futuro presidente encomendadas pelos maiores partidos, o fenômeno Ciro é uma radiografia muito precisa do espírito do brasileiro, apenas dez meses depois de ter empossado para um segundo mandato o presidente Fernando Henrique Cardoso.
A tradução dos números das pesquisas não é boa nem para o governo nem para o maior partido de oposição do País, o PT. O eleitor está fazendo cara feia tanto para FHC como para o decano petista Luiz Inácio da Silva, que se concorrer às eleições de 2002 estará disputando a sua quarta eleição para a Presidência e completando 13 anos como candidato ao mais alto posto da República.
Há um consenso de que Ciro entrou nesse vácuo. ‘‘O eleitor está profundamente decepcionado com Fernando Henrique e não vê em Lula, nem no PT, uma alternativa’’, explica o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira.
Na pesquisa Veja-Vox Populi, Ciro, que obteve 11% dos votos nas eleições de 1998, chegou a 23%, contra 31% das preferências a Lula – que, se for candidato em 2002, estará disputando pela segunda vez a Presidência. Na pesquisa CNI-Ibope, a preferência por Ciro sobe a 40% dos consultados.

mockup