Rio de Janeiro - O pré-candidato da Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT) à Presidência, Ciro Gomes, disse ontem que o pré-candidato do PSDB, senador José Serra, comete ‘‘desonestidade intelectual’’ ao acusar adversários de irresponsabilidade fiscal por supostamente não estarem comprometidos com a estabilidade das contas públicas. Ele lembrou que o tucano era ministro do Planejamento durante o primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e membro do Conselho Monetário Nacional, quando, segundo ele, ‘‘se manipulou o câmbio com fins de reeleição’’, além de ter sido ministro no governo seguinte.
‘‘Ele era beneficiário disso tudo’’, atacou o pré-candidato, depois de participar de um seminário fechado promovido pelo Banco Santander em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense. ‘‘O Serra não sabia que, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o Banco Central, a partir de agora, está proibido de emitir títulos. Isso engessa o próximo governo. O perfil da dívida bota para abril do ano que vem R$ 32 bilhões de vencimentos. E estão colocando tudo para janeiro, o primeiro mês do próximo governo. São uns irresponsáveis.’’
Ciro afirmou que o governo dolarizou a dívida interna em regime de câmbio flutuante, com déficit externo de US$ 20 bilhões. ‘‘É crime’’, afirmou. Para ele, ‘‘não há irresponsabilidade fiscal mais grave na história moderna brasileira do que a praticada pelo governo federal’’. O pré-candidato lembrou que o serviço da dívida, por ano, custa R$ 93 bilhões, e o superávit primário nas contas é de R$ 25 bilhões. ‘‘O credor começa a desconfiar que não vai dar para pagar’’, declarou Ciro, que classificou o quadro de e ‘‘desastre completo’’.
PFL - O presidenciável do PPS disse que 16 seções estaduais do PFL podem apoiá-lo e que isso pode se repetir em outros quatro Estados. ‘‘Evidentemente, me interessa’’, disse ele. ‘‘Sei quão necessário é, além de ganhar, ter governabilidade, sustentação no Congresso e interlocução política boa.’’ Ciro prometeu que não haverá fisiologismo em relação aos pefelistas, nem problemas com o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, que, em passado recente, repudiou a aliança com o PFL. ‘‘Nunca brigamos’’, afirmou.

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