O ex-ministro e candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, disse ontem, em Belo Horizonte, onde participou de debate com estudantes e professores da Faculdade de Direito da UFMG, que o governo está usando a crise financeira internacional como desculpa para esconder seus próprios desequilíbrios. ‘‘Eles tentam colocar a culpa na crise externa, que existe, mas a nossa vulnerabilidade e dependência foi construída pela imprudência desse governo’’, afirmou o ex-ministro.
Ao contrário do candidato da frente de esquerda ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, que responsabiliza a equipe econômica pela situação de risco de um ataque especulativo no País, Ciro preferiu poupar os técnicos do atual governo. ‘‘O problema não é de natureza técnica, não há reparos morais a fazer à equipe, é gente séria’’, disse.
‘‘O defeito é de natureza política, porque eles são ultra-ortodoxos no neoliberalismo, acreditam que a solução é a simplificação neoliberal, mas isso é deliberação do presidente, que é o chefe da equipe e é quem precisa ser trocado’’, acrescentou. Perguntado se manteria a atual equipe caso fosse eleito, no entanto, Ciro foi enfático: ‘‘Vai todo mundo para o olho da rua’’, disse.
Ciro disse ainda que não está dando crédito às pesquisas que o põem em terceiro lugar na disputa, com cerca de 5%. Segundo ele, os institutos estariam falseando os números para tentar manipular a opinião pública. ‘‘Quando a eleição estiver se aproximando, os números serão mais corretos’’, disse. Em um eventual segundo turno entre Lula e FHC, Ciro garantiu que não votará ‘‘em nenhum dos dois’’. O candidato voltou a acusar FHC de estar usando a máquina administrativa para conseguir a reeleição. ‘‘Ele está fazendo isso despudoradamente’’.

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