O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, pré-candidato do PPS à Presidência da República em 2002, defendeu ontem em Londrina a formação de uma ampla aliança de centro-esquerda para derrotar o nome apoiado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas eleições presidenciais do ano que vem. ‘‘A crítica aos desmandos e a corrupção nos une; a inconformidade em relação à política neoliberal nos une. O que nos separa é como conseguir a união eleitoral para derrotar esse governo’’, avaliou.
Ciro esteve em Londrina para participar da abertura da Feira da Construção Civil (Feiracon), que começou ontem. Apesar de entender que as oposições devem partir unidas para eleição de 2002, o ex-ministro admitiu que o início da campanha para a sucessão de FHC só vai ser definido a partir do momento que o governo federal indicar quem será seu candidato. Até lá, segundo ele, irão predominar as articulações políticas e as especulações.
Sobre a possiblidade de disputar a presidência com o governador do Ceará, Tasso Jeiressati (PSDB) – amigo pessoal de Ciro e aliado de FHC –, o ex-ministro desconversou e disse apenas que se trata de um ‘‘homem honrado’’. Disputando a vaga na chapa oficial com o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), Tasso é o nome defendido pelo senador baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL) e também pelo ex-governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), morto na semana passada. ‘‘Ele (Covas) era um dos maiores homens públicos desse país e me inspirou. Ajudei a fundar o PSDB por causa dele’’, elogiou.
Já sobre ACM – que declarou ser ‘‘simpático’’ à candidatura de Ciro à presidência, juntamente com os nomes de Tasso e do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB) –, o ex-ministro disse considerar que os ‘‘elogios’’ do senador baiano não passam de provocação. ‘‘Ele passou seis anos mancomunado com FHC e agora diz que é oposição’’, criticou.
Para Ciro, a crise política provocada pela briga entre ACM e o presidente do Congresso Nacional, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), é a oportunidade para investigar todas as denúncias que estão sendo feitas de lado a lado e que também envolveriam o presidente FHC. Ele citou a suposta quebra de sigilo de voto na cassação do ex-senador Luiz Estevão (sem partido); as fraudes no Banco do Pará (Banpará) que teriam beneficiado Jader; e também o chamado ‘‘Dossiê Cayman’’. ‘‘Tudo deve ser investigado.’’

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