O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PPS), disse ontem em Brasília que qualquer solução para a crise financeira brasileira tem de ser tomada respeitando as instituições democráticas e o resultado das eleições de outubro. Ciro criticou a proposta do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT-RS) de fazer novas eleições presidenciais. ‘‘Não cabem soluções golpistas’’, afirmou Ciro, que anteontem à noite se encontrou com FHC.
A opinião de Ciro foi referendada pela Executiva do PPS, que se reuniu ontem no Senado. O partido decidiu que vai continuar conversando com FHC. Ciro defendeu a unificação cambial desde que, segundo ele, seja uma etapa de preparação para o controle de remessas de dólares de brasileiros para o exterior e posterior renegociação da dívida interna. Para ele, a cotação do dólar em níveis superiores a R$ 2 é ‘‘um absurdo’’. Segundo Ciro, as soluções para a crise devem ser propostas com FHC no cargo.
O ex-ministro entende que o diálogo é o caminho para superar a crise, mas admitiu que há riscos de não chegar ao resultado esperado. Para ele, se o presidente acatar as sugestões dos adversários e mudar a política econômica, deverá reunir apoios. ‘‘É natural que sejamos co-responsáveis. Mas, se ele persistir no erro, vamos radicalizar a oposição’’, disse. Ciro afirmou, no entanto, que isso não significa pacto nacional nem que o partido vá aderir ao governo FHC.
Sem citar nomes, Ciro disse que não concorda com a decisão de governadores de suspender o pagamento da dívida pública, como fez Itamar Franco (PMDB-MG). ‘‘Valorizo o gesto político de Itamar, que expôs a situação financeira dos Estados e encerrou a ditadura FHC’’, afirmou. Ciro criticou a equipe econômica e o economista André Lara Resende, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). ‘‘Ele (Lara Resende) é um olho em terra de cego. Parou de estudar, não ousa mais e tem uma deformação grave: é banqueiro’’, afirmou.

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