Ciro considera ida ao FMI remédio amargo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de dezembro de 1997
Agência Folha Buenos Aires 
Arquivo FolhaGomes: segundo ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, FHC não cumpriu as promessas de campanhaO ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, pré-candidato do PPS (antigo PCB) à Presidência da República, definiu ontem, em Buenos Aires, a possibilidade de recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) como um remédio amargo. Mesmo ressalvando que não seria a sua alternativa preferencial, ele a admitiu como uma das possíveis para o país aumentar suas reservas financeiras em momentos de crise. Ciro deixou o PSDB e se constituiu numa das alternativas definidas pelo PPS como de esquerda para as próximas eleições presidenciais.
Ele esteve em Buenos Aires para participar do seminário Alternativa Latino-americana. As possibilidades defendidas com mais vigor pelo ex-ministro para estruturar a economia de uma administração por ele definida como uma ruína (o governo do seu ex-correligionário Fernando Henrique Cardoso) foram o aumento da poupança interna por meio de um Estado que gaste menos e das privatizações.
Ciro se referiu às existências de um grande acervo para privatizações no Brasil e a um Estado que pode desperdiçar menos. Ou seja, segundo ele, há grande potencial para que o Brasil consiga enfrentar crises internacionais. O ex-ministro do governo Itamar Franco disse que nenhum dos cinco itens enumerados na mão aberta por Fernando Henrique durante a campanha foi cumprido. Ciro criticou a adoção da estabilidade monetária brasileira pelo atual governo como um fim em si mesmo que depende de juros altos e arrocho salarial para se manter e deveria ser caracterizada como um meio.
Por isso, segundo o ex-ministro, a estabilidade monetária é utilizada como uma chantagem pelo governo. Toda a sociedade moderna faz a população pensar no futuro. No Brasil, pensa-se no que eu fiz, afirmou ele. Ciro procurou tirar do Congresso e da economia internacional as responsabilidades pelo momento econômico vivido no Brasil. Se não ocorreram reformas, a responsabilidade é do governo. Quando ele quer, faz.


