Ciro condena proposta de pacto
Wilson Tosta
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes condenou ontem a proposta de pacto apresentada pelo presidente Fernando Henrique à oposição e aos governadores para tentar resolver a crise da previdência, iniciativa que, segundo ele, é sinal de que o presidente está perdidão.
Ciro defendeu um diálogo com o governo, desde que comece do zero e discuta outras questões, como a ajuda do governo a bancos privados e a política econômica. Para Ciro, FHC, que propôs o pacto e convocou uma reunião de governadores para o dia 15 com o objetivo de discuti-lo, tenta apenas recuperar popularidade.
Do zero, a gente começa, disse o ex-ministro da Fazenda. Agora, dizer: quero pagar R$ 120 bilhões de juro para banco, quero pagar R$ 1,2 bilhão para os bancos Marka e Fonte-Cindam, quero dar dinheiro ao Banco Econômico pagar suas contas no estrangeiro e quero que vocês façam um pacto comigo para tomar dinheiro dos aposentados... não tem pacto assim; pacto é para conversar sério.
Ciro acusou FHC de querer impor austeridade pela metade, punindo a classe média baixa e os pobres para beneficiar os barões das finanças. O ex-ministro disse que a proposta de pacto é papo-furado do presidente, na tentativa de fazer uma retórica pseudogenerosa e superar a marca de impopularidade, em boa parte imposta por sua arrogância.
O ex-ministro afirmou ainda que os governadores, que se mostram dispostos a conversar com o presidente, cumprem um papel institucional. Este negócio de governador de oposição só existe nesta retórica boboca aqui do Brasil. O ex-ministro, provável candidato do PPS à sucessão presidencial em 2002, disse que a questão da Previdência Social brasileira, assunto que detonou a proposta de pacto, não está na despesa, mas na receita.
O regime de repartição só funciona com muitos ocupados para um aposentado com expectativa de vida razoavelmente baixa; hoje nós temos duas pessoas ocupadas para um aposentado com expectativa de vida alta, afirmou. Temos de trocar o (atual) regime previdenciário por um regime de capitalização.





