Ciro afirma que saque é fenômeno cultural no NE
Ciro afirma que
saque é fenômeno
cultural no NE
Agência Folha
O pré-candidato do PPS à presidência da República, Ciro Gomes, disse ontem em Beberibe (74 km ao sul de Fortaleza), que os saques de flagelados da seca no Nordeste são fenômenos culturais e que não devem ser tratados como caso de polícia. Faz mil anos que acontece saque por aqui. Falo do saque famélico. Nunca foi considerado crime institucional. Nunca foi questão de ordem pública. Nunca houve um processo contra ninguém, nem repressão policial, disse.
Ciro disse que não acredita que a maioria dos saques ocorridos até hoje no Nordeste tenha motivação política. Para ele, os saques organizados pelo MST são um caso isolado. O principal móvel dos saques é a situação de necessidade, de fome. A massa não estará disponível se não houver fome. Duvido que se consiga mobilizar uma massa alimentada para fazer saques, disse.
Ciro afirmou que a visita de Fernando Henrique a Tejuçuoca, na segunda-feira, foi de um oportunismo de terceira categoria. Ele criticou também a visita de Lula a Jaguaruana e Quixeramobim. Lula se preocupou apenas em mostrar a miséria, sem apresentar propostas para resolvê-la, afirmou. O ex-ministro disse que o presidente FHC é o principal responsável pelo desencadeamento da onda de saques.
Ele é culpado por ter se omitido em elaborar um programa de combate à seca, quando se sabe que estiagem foi prevista com antecedência. E é culpado por ter valorizado exageradamente a questão do saque na mídia, disse. Segundo Ciro, o direito ao saque famélico é uma questão elementar para o mundo jurídico e foi incorporado como um valor no tempo do Papa Leão 13.
Para camuflar a falta de propostas para resolver a questão da seca, o presidente criou uma falsa polêmica em torno dos saques, deixando de lado a discussão de alternativas para desenvolvimento sustentável do Nordeste, disse.





