Ciro acusa Serra de defender EUA
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quinta-feira, 26 de setembro de 2002
Agência Estado 
Brasília O candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes (PPS), acusou ontem o candidato do governo na disputa pelo Planalto, José Serra (PSDB), de fazer o jogo das potências do Norte lideradas pelos Estados Unidos ao afirmar que o Mercosul não deu certo.
Em entrevista anteontem, Serra defendeu um freio no processo de integração regional, pregando inclusive a desvinculação do Brasil do Mercosul. ''Essa é uma estratégia mortal de quem está fazendo o jogo das potências do Norte'', criticou o candidato do PPS.
Ciro argumentou que o Mercosul foi concebido para fazer uma proteção recíproca das economias dos quatro países integrantes do acordo, ''para nos dar ganho de escala e coordenação (política), especialmente frente às pressões dos Estados Unidos pela Alca''.
Segundo ele, os americanos, ao perceberem a importância do Mercosul, fizeram ofensivas junto ao Chile para o fechamento de acordos bilaterais: ''Eles manipularam o câmbio da Argentina até destruir, pelo menos economicamente, aquele grande país e levá-lo à ingovernabilidade''.
Na opinião de Ciro, agora os EUA querem fazer o mesmo com o Brasil. ''Quem se põe contra o esforço de restauração do Mercosul tem que tirar a máscara e dizer o que de fato está fazendo: está prestando um serviço a este esforço de desagregação da América Latina, que é feito pelas potências do Norte'', ressaltou o candidato trabalhista.
Ciro visitou ontem o presidente da CNBB, dom Jayme Chemello, quando recebeu documentos com reivindicações para um eventual governo. O candidato recebeu ainda dos reitores de universidades públicas documento pedindo que o próximo governo aumente os investimentos no setor e assegure a autonomia daquelas instituições.
Ele criticou novamente as novas medidas econômicas recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo as quais o Brasil necessitaria de um reajuste fiscal mais rigoroso a partir do próximo ano. De acordo com Ciro, estas medidas já prejudicaram a Argentina e podem prejudicar o Brasil. ''Esta é a equação que matou a Argentina'', afirmou o candidato.


