O mau tempo em Curitiba, anteontem, fez com que o candidato da Coligação Brasil Real e Justo à Presidência, Ciro Gomes (PPS), e o candidato a vice na chapa, Roberto Freire (PPS), passassem a noite em Londrina. O avião que transportava a comitiva não conseguiu teto para aterrissar no aeroporto Afonso Pena, na capital do Estado, e por isso acabou seguindo para o norte do Estado. Para o candidato, a campanha presidencial está polarizada entre o ‘‘inimigo do Real’’, personificado pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ‘‘falso milagreiro do Real’’, que seria o presidente e candidato à reeleição Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
‘‘Querem transformar a campanha num falso plebiscito sobre o Real’’, declarou. ‘‘E essa polarização da campanha prejudica o debate e não mostra quais são as respostas para tirar o País da crise em que se encontra’’.
Ciro Gomes destacou que há vários meses antecipou o problema da Rússia e que, se o Brasil insistir na política econômica atual, será a próxima vítima. Lembrou que as reservas internacionais (uma das bases de sustentação do plano econômico) são mantidas atualmente por conta de ‘‘agiotas’’ e que, ainda assim, começou a ruir, com a fuga diária de US$ 1 bilhão. ‘‘O Brasil está de joelhos’’, definiu.
Segundo o candidato do PPS, o governo está ‘‘empurrando a crise com a barriga’’ por causa das eleições e não toma medidas para não ‘‘desmistificar’’ o plano econômico. ‘‘De outra parte, a oposição está comemorando a crise. Parece que está gostando de ver o circo pegar fogo’’, critica, falando sobre o partido de Lula.
Para ele, ‘‘o PT é só ressentimento e proposta social mirabolante’’, sobretudo quando promete gerar 14 milhões de empregos em quatro anos. ‘‘Isso é mentira grosseira.’’ Ciro Gomes acusa ainda o PT de considerar a eleição perdida, se mantendo no páreo apenas para reforçar o papel de única oposição no país, além de eleger candidatos para o Legislativo.
Ciro Gomes confirmou em Londrina que está aberto ao diálogo com o governo para ajudar o país a encontrar uma saída menos traumática para a crise. Ele prega uma ‘‘atitude cooperativa’’ para que a população sofra menos as consequências da crise econômica, que pode se tornar irreversível. ‘‘A vítima disso tudo é o povo e a gente deve se envolver.’’
Sobre a campanha, o candidato do PPS diz que é o único candidato à Presidência da República que está trabalhando, visitando em média de duas a três cidades por dia em todo Brasil. Ainda assim, observa, o espaço que tem conseguido na mídia é infinitamente menor do que o dos dois que estão nas primeiras colocações segundo as pesquisas de opinião. ‘‘Apesar de ter entre 7% e 12% nas pesquisas, tenho menos de 1% no noticiário’’, lamenta.
Ontem de manhã, ele aproveitou a estada em Londrina e fez visitas à sede da Folha, no centro da cidade, e também ao prefeito Antônio Belinati (PDT). No salão nobre da prefeitura, fez discurso no palanque armado para o secretário de Habitação e presidente da Cohapar, Rafael Dely, para a entrega dos cheques para famílias beneficiadas pelo projeto Pró-Moradia. Por volta do meio-dia, finalmente conseguiu embarcar para Curitiba, onde ficaria até o começo da noite, partindo depois para Maringá.
Ciro Gomes afirmou que a visita à cidade não foi por acaso. ‘‘Vim também pela amizade que tenho com o Belinati e também Londrina é uma das cidades mais importantes do Brasil’’, afirmou na prefeitura. ‘‘Além disso, quero levar uma alternativa de governo que responda ao drama popular.’’

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