O candidato do PPS à presidência da República, Ciro Gomes, disse que está torcendo para que hoje aconteça um ‘‘revertério’’, e que sairá das urnas com um cafice político maior do que quando entrou. Ciro avisou que a oposição dará ‘‘uma trégua para quem ganhar a eleição presidencial’’, mas que ninguém se engane: ‘‘Será por pouco tempo, uns poucos dias’’. Ex-prefeito, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda, ele confirma que sua foto da reta final da campanha com Lula foi um aviso.
Se confirmada a previsão de reeleição de FHC, a oposição vai se unir para não dar descanso ao governo - aponta. ‘‘É natural dar uma trégua ao vencedor, mas será muito rápida. Depois, é cair em campo, cimentar a unidade das oposições e criar um governo paralelo para fiscalizar cada passo do novo governo’’, disse.
Derrotado no sonho de conquistar já a Presidência, ele mantém um outro: o de se viabilizar como ‘‘a terceira via’’ na política brasileira. Para isso, conta com o desgaste natural do eventual segundo mandato de FHC e da também quase certa terceira derrota de Lula. ‘‘Hoje, sou um homem que pode dizer, com segurança, que conhece o Brasil. Visitei o País inteiro, vi os pontos de estrangulamento, entendi a psicologia de cada região, identifiquei as reivindicações’’, disse Ciro, já falando sobre 2002.
Ciro se diz convencido de que a oposição começou a perder a eleição na fase de formação de chapas, quando tentou e não conseguiu fazer uma ampla aliança de partidos e líderes em torno de um candidato ‘‘novo’’. Ao romper com o PSDB e criar um expressivo fato político na eleição, sua intenção era concorrer pelo PSB, que tem os governos de Pernambuco e do Amapá, e a prefeitura de Belo Horizonte. É, ou era, um partido em ascensão. Mas os líderes do PSB dividiram-se.
Ciro entrou na campanha apenas com o seu PPS, o PL e o PAN (o desconhecido Partido dos Aposentados da Nação). O candidato a vice, senador Roberto Freire (PE), saiu do próprio PPS. O candidato queria pelo menos 4 minutos na televisão. Ficou com apenas 1,13 minuto. ‘‘Com esse tempo, consegui convencer uma parte expressiva do eleitorado. Imagine com quatro vezes mais’’, diz ele. Seu sonho não acabou. (Eliane Cantanhêde/AE)

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