Curitiba - O Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta II), com sede em Curitiba e responsável por monitorar todos os vôos que cruzam o Sul do País, tem uma defasagem de 346 profissionais, incluindo 40 controladores de vôo. Essa é a principal constatação do relatório da Comissão Especial de Investigação (CEI) criada na Assembléia Legislativa para analisar o apagão aéreo no Paraná. O documento foi apresentado ontem, em plenário, pelo deputado estadual Cleiton Kielse (PMDB), que afirma ainda que não há integração nas ações dos órgãos responsáveis pela aviação comercial no Brasil.
As informações da CEI foram obtidas pelos deputados principalmente em visitas realizadas ao Cindacta II em abril. Além de Kielse, integraram a comissão os deputados Antonio Belinati (PP) e Marcelo Rangel (PPS). ''Por informações do próprio comando do Cindacta II, descobrimos que o órgão precisaria de 346 novos profisionais para suprir suas necessidades, entre controladores de vôo, engenheiros de telecomunicações, engenheiros de várias outras áreas de segurança aérea e mecânicos'', afirmou Kielse.
O relatório da CEI aponta que, somente em relação aos controladores de vôo, seria necessária a contratação imediata de 40 profissionais para manter um quadro de estabilidade na prestação do serviço. ''Já para os próximos 10 anos seriam necessários 196 novos controladores no Cindacta II'', disse o deputado. Para ele, esses números dificilmente serão atingidos. ''Foi aberto concurso para a contratação de 380 controladores em todo o País, mas para suprir a demanda do Brasil seriam precisos 800 profissionais de imediato'', declarou Kielse. O parlamentar afirmou ainda que o governo federal tem possibilidade para melhorar a remuneração dos controladores. ''Existe uma forma de gratificação para esses profissionais prevista em lei, mas ela não é aplicada pelo governo e pelo Ministério da Aeronáutica.''
Em relação à área de cobertura dos equipamentos do Cindacta II, Kielse afirma que a informação recebida pela CEI é que não existe nenhum ''ponto cego'' no espaço aéreo paranaense. ''Todo o território do Paraná e da região Sul é abrangido pelos radares do Cindacta II'', garante o deputado.
Além da melhoria das condições de trabalho dos controladores, incluindo o aumento do quadro de funcionários, o relatório da CEI da Assembléia indica uma falta de integração entre os órgãos responsáveis pela aviação comercial brasileira. Entre eles, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Ministério da Aeronáutica e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). ''Existe uma desinformação entre esses órgãos. A Anac, por exemplo, autoriza a criação de novas linhas aéreas independente de saber se a Aeronáutica tem condições de monitorar essas linhas'', explicou.
Depois da apresentação de ontem na Assembléia, Kielse garantiu que o relatório com as conclusões da CEI paranaense será enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo; e aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada no Congresso Nacional para investigar o apagão aéreo.

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