Cinco petistas rejeitam renúncia e enfrentam processo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Agência Estado 
Brasília - Dos seis deputados do PT acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão de envolvimento com o esquema de caixa 2 montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, cinco decidiram ignorar a pressão do Palácio do Planalto para que renunciassem. Optaram por enfrentar o processo de cassação de seus mandatos no Conselho de Ética e no plenário da Câmara, num gesto cujo principal efeito será o prolongamento da crise política.
Apenas Paulo Rocha (PA), ex-líder do partido, entregou a carta de renúncia, cinco minutos antes de encerrado o prazo. Ele garantiu, assim, o direito de se candidatar no ano que vem. João Magno (MG), João Paulo Cunha (SP), José Mentor (SP), Josias Gomes (BA) e Professor Luizinho (SP) - os cinco que decidiram enfrentar o processo - correm o risco de ter os direitos políticos suspensos até 2015, caso a Câmara decida pela cassação de seus mandatos, em votação secreta, e por no mínimo 257 votos (a maioria mais um dos 513 deputados).
O deputado João Paulo disse que pesou muito em sua decisão de enfrentar o processo o pedido da filha Juliana. ''Minha família estava dividida, mas minha filha pediu que eu não renunciasse''. Ele contou ainda que suas bases em Osasco queriam que tomasse a decisão de não enfrentar o processo de cassação. ''Eu tenho certeza de que vou ser absolvido. Não estou envolvido em caixa 2. Só tem caixa 2 quem tem caixa 1 e isso eu nem tive'', afirmou ele. De acordo com informações de Marcos Valério, a mulher do deputado, Márcia Milanésio, teria sacado R$ 50 mil de suas contas.
Por sua vez, o deputado João Magno afirmou que nunca pensou em renunciar. Ele disse que o dinheiro que recebeu das empresas de Marcos Valério (R$ 426 mil, dos quais R$ 126 mil para a campanha de 2002 e R$ 300 mil para a de 2004, quando disputou a prefeitura de Ipatinga) foi contribuição do PT nacional. ''Não pratiquei nenhuma irregularidade. O Delúbio Soares é prova de que o dinheiro era do PT nacional'', disse João Magno.
João Magno disse que requereu ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas o direito de fazer uma prestação de contas suplementar, na qual pretende declarar todo o dinheiro que recebeu do caixa 2 do PT. ''Eu vou fazer a declaração. Compete ao PT informar a origem do dinheiro'', disse João Magno.


