Leandro Donatti
O Ministério Público do Paraná renova o seu comando. Cerca de 420 promotores e 58 procuradores de todo o Estado serão consultados hoje sobre quem deve ser o novo procurador-geral de Justiça. Cinco candidatos concorrem à vaga de Olympio de Sá Sotto Maior Neto: Aguinaldo Santa Thereza Borges Vieira, Edson Vidal, Glaucio Pereira, Gilberto Giacóia e Ubirajara Índio do Brasil Ferreira de Araújo.
A votação em Curitiba será das 9 horas às 18 horas, no sexto andar do Palácio da Justiça. Os promotores do interior estão votando por carta desde o dia 1º deste mês. Os três mais votados integrarão lista tríplice a ser encaminhada ao governador Jaime Lerner (PFL), a quem caberá a decisão final. Ele tem 15 dias para designar o novo dirigente do MP. À Assembléia Legislativa cabe avalizar ou não a escolha do governador.
É de praxe, nos últimos anos, o mais votado ficar com o cargo de procurador-geral. Entretanto, a escolha dentre os três nomes é de exclusividade do governador. No governo do senador Roberto Requião (PMDB), por exemplo, Antonio Chemin Guimarães foi o procurador mais votado e, no entanto, a escolha de Requião recaiu sobre Luiz Carlos Delazari.
Afastados de suas funções, os candidatos dedicaram-se nos últimos dias à campanha no interior e capital. Inicialmente, seis candidatos concorriam à sucessão de Sotto Maior Netto. O procurador Dartagnan Abilhôa, entretanto, desistiu do pleito alegando impedimentos de ordem pessoal.
Aguinaldo Santa Thereza Borges Vieira tem 33 anos de Ministério Público. Integrou duas vezes o Conselho Superior do MP e já foi duas vezes corregedor-geral. Sua família tem vínculos com o governo Lerner. Seu irmão, o coronel Luiz Antonio Vieira, responde pela Defesa Civil e Casa Militar. Borges Vieira defende, entre outras coisas, a aprovação da Lei Orgânica do MP, engavetada desde 90 na Assembléia Legislativa.
Edson Vidal apostou tudo na disputa pela procuradoria-geral e é o candidato preferencial do governador. Foi durante dois anos o secretário da Justiça de Lerner e abriu mão da função para concorrer. Nascido em Curitiba, Vidal ficou durante 12 anos no interior e em 98 completa 30 anos de MP. Um dos motes de campanha do ex-secretário foi em defesa da presença do procurador-geral nas sessões do órgão especial do Tribunal de Justiça.
Glaucio Antonio Pereira iniciou carreira em 80. Em 95 foi promovido a procurador de Justiça, integrando o Conselho Superior do Ministério Público por duas vezes. O candidato conta com a simpatia do procurador-geral Olympio de Sá Sotto Maior Neto. Respondia até o início da campanha pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em Curitiba, e promete, se eleito, ampliar o quadro de serviços auxiliares e equipamentos do MP.
Gilberto Giacóia fez a sua plataforma para as eleições do MP em cima da defesa da autonomia e independência funcional da instituição. Natural de Ribeirão Claro, ingressou em 80 na carreira. Trabalhou durante 14 anos no interior, período no qual atuou em sete comarcas. Também goza da simpatia do atual procurador. E quer um tratamento ‘‘transparente’’ e ‘‘respeitoso’’ aos procuradores e promotores de Justiça.
O procurador Ubirajara Índio do Brasil Ferreira de Araújo está há 20 anos na instituição. Dos candidatos, é o que deu um tom mais agressivo à campanha. Num artigo intitulado ‘‘Sou candidato’’ e publicado por diversos jornais, o procurador critica os rumos tomados pela instituição. Diz que há necessidade do Ministério Público retomar ‘‘a moralidade, dignidade e o respeito’’. Na carta aberta, o procurador diz que a sua candidatura é uma ‘‘antítese’’ a tudo o que se tem presenciado na instituição.

mockup