Cientistas políticos consideram CPI inevitável
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sexta-feira, 06 de abril de 2007
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - O acirramento da crise aérea no País, com o motim dos controladores de vôo no dia 30, torna inevitável instalação da CPI do Apagão no Congresso. A avaliação é do cientista político e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Marco Antônio Carvalho Teixeira. ''O governo está à deriva nessa questão e não tem como escapar dessa CPI.'' A opinião é compartilhada pelo cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis. No seu entender, a CPI deverá trazer turbulências para o governo Lula, na medida em que a oposição tentará esmiuçar as denúncias.
Para Reis, o PMDB vai ter papel fundamental em todo esse imbróglio. ''Este será o primeiro teste da postura do PMDB no Congresso. Será que a bancada permanecerá fiel ao governo?'', questiona. Ele acredita que, se o Planalto conseguir manter a coesão de sua base, o impacto da CPI poderá ser menor e o governo poderá garantir a aprovação de medidas de seu interesse.
Também para Teixeira, o PMDB terá papel fundamental nessa questão e será o fiel da balança. ''Quando existe um clamor grande da sociedade, sobretudo numa grave crise como essa, dificilmente o governo consegue controlar a sua base. Isso porque a carreira do próprio político e as pressões de seus eleitores acabam tendo peso maior do que a fidelidade ao governo.''
Os dois cientistas políticos avaliam que dificilmente o Planalto enfrentará crise institucional por ter desautorizado, no dia da greve dos controladores, a punição que o Comando da Aeronáutica queria impor aos sargentos. ''No meu entender, o governo está confuso nessa questão, pois recuou na questão da punição, devolvendo às Forças Armadas a decisão. Mas não acredito que o episódio possa deflagrar crise institucional'', disse Teixeira.


