Cientistas elogiam atuação do PSOL
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sábado, 14 de julho de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em meio ao antagonismo entre partidos governistas ou ditos de oposição e o corporativismo que domina as investigações na classe política, antes uma sigla pequena agir, ao assunto ser providencialmente jogado para debaixo do tapete. A opinião é compartilhada por dois cientistas políticos ouvidos pela FOLHA, a professora Luzia Herrmann de Oliveira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e o professor Lúcio Rennó, do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação Sobre as Américas, da Universidade de Brasília (UnB).
Para a londrinense, é válida a enxurrada de representações do partido liderado pela ex-senadora Heloisa Helena. Ainda mais em um meio que, avalia, tem no julgamento político dos casos de quebra de decoro parlamentar uma série de fatores que dificultam que a verdade venha à tona.
''De um lado há o corporativismo dos parlamentares como um todo; de outro, existe uma relação de antagonismo entre a base do governo e as oposições. Resultado: cabe à oposição procurar os problemas a serem investigados; além disso, há a influência da opinião pública sobre o processo'', ponderou.
Na avaliação da cientista política, no caso de Renan Calheiros (PMDB/AL) o corporativismo pesou muito mais que para Joaquim Roriz (PMDB/DF). ''A meu ver, foi por essa razão que a denúncia sobrou para o PSOL. Enquanto ficava só na imprensa tudo parecia uma tranquilidade para o senador. Mas à medida que as denúncias foram aumentando e a opinião pública parecendo mais escandalizada, também os grandes partidos da oposição passaram a adotar uma postura mais clara. Só aí parece que eles entenderam a gravidade da situação.''
Luzia acredita na força dos chamados ''pesos e contrapesos constitucionalmente garantidos'' - ela elenca desde a liberdade de imprensa às atuações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) - para desvendar à sociedade eventuais casos de corrupção. Por outro lado, a cientista política aponta que há problemas difíceis de serem solucionados, de vez, por simples representações ou por qualquer outra movimentação de partidos.
''Acredito que o problema maior são as deficiências dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Por exemplo, no caso de Joaquim Roriz, quando a pressão contra ele se tornou intolerável, decidiu renunciar, mas nada garante que não volte para o poder nas próximas eleições. Sobre Renan, tudo leva a crer que será julgado em plenário, mas o voto secreto será um poderoso instrumento a seu favor'', afirmou a professora. ''E quando o processo entra na esfera do Judiciário, a lentidão com que se desenvolve espalha um sentimento generalizado de impunidade - isso tudo está levando a democracia brasileira a uma séria crise.''
Já na opinião de Rennó, iniciativas como a do PSOL têm como que ''ocupado um espaço que ficou vazio nos últimos anos e que, desde que o PT e a esquerda como um todo chegaram ao poder, se perdeu. E nisso o partido tem obtido resultados''. Por outro lado, Rennó observou que a ''bandeira de moralização'' erguida pelo PSOL seria, na verdade, insuficiente à sobreviência do partido.
''Para o PSOL é importante exercer essa função fiscalizadora centrada no Legislativo, pois fortalece algumas lideranças em evidência. Mas isso pode acabar restringindo a sigla a esse tipo de tema'', afirmou. ''Para serem reeleitos a cargos legislativos, até certo ponto as iniciativas dos representantes do partido os garantem, mas se quiserem se expandir e galgar relevância nacional, precisariam de cargos no Executivo'', concluiu.


