Cientistas dizem que crise pode favorecer Serra
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quarta-feira, 12 de junho de 2002
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - A crise no mercado financeiro pode favorecer a candidatura do senador José Serra (PSDB-SP) a presidente. Essa é a opinião dos cientistas políticos Fábio Wanderley Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Marco Antônio Carvalho Teixeira, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.
Para Reis, o estado de dúvidas reforça a retórica terrorista e intimidatória do governo de que a vitória de um candidato de esquerda pode comprometer ainda mais a situação econômico-financeira do País. Apesar disso, ele destaca que se a crise se acirrar por mais tempo, Serra também poderá ser afetado, pois ficará caracterizado que o governo não tem controle da situação.
Teixeira lamenta que a campanha eleitoral se baseie mais em críticas e denúncias do que em propostas. O quadro é similar ao que ocorreu nas eleições de 1989, quando o cenário se polarizou entre Collor (Fernando Collor de Mello, ex-presidente), taxado de candidato da estabilidade, e Lula, taxado de candidato da desestabilização. A diferença é que, agora, a polarização se dá entre o candidato do governo, José Serra, e Lula; porém, o embate é o mesmo.
Ele acredita que a campanha no segundo semestre deverá estar polarizada entre o pré-candidato do PSDB e o do PT. Acho difícil o quadro para Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB), principalmente em função da fragilidade de seus partidos. Reis, porém, acredita que ainda é cedo para dizer que o tucano estará no segundo turno. O Serra ainda não deu provas de que descolou de fato de seus concorrentes.


