Cientistas condenam intervenção
Cientistas condenam intervenção
Agência Estado
Cientistas políticos criticaram a intervenção da cúpula do PT no diretório do Rio de Janeiro. É lamentável, considerou o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Luis Fiori. Não há argumento tático que justifique uma atitude autoritária, contra toda a história do partido. Da mesma forma, o professor da Unicamp, Carlos Alberto Marques Novaes, classificou a decisão como resultado de um processo de degradação institucional do partido.
Outro que lamentou a deliberação foi o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Denis Rosenfield. Ao invés de impor alianças, o partido precisa aprender a construí-las, criticou o professor gaúcho. Para ele, a decisão é tão inadequada quanto ineficaz. O PT fluminense não vai apoiar (Anthony) Garotinho e os outros diretórios vão ficar em situação delicada, prevê Rosenfield.
O professor da Unicamp Leôncio Martins Rodrigues também não acredita na eficiência da decisão. Foi um sacrifício muito grande para um resultado muito magro, avalia. De acordo com ele, o PT acabou transformando o ex-governador Leonel Brizola (PDT) no principal eleitor interno do partido. O problema é que Brizola não agrega como vice na chapa de Lula, considera. Além disso, Leôncio acha que a diferença de 17 votos foi pequena. Isso pode representar uma cisão no partido.
Além disso, a discussão é tempo perdido. Ao invés de construir uma candidatura de oposição, o PT vai passar o próximo mês discutindo problemas da máquina partidária, lamenta. Fiori concorda. O PT, que era a grande alternativa da oposição ao governo, agora vai ficar meses se estraçalhando em uma luta interna.





