Cientista vê erros de empresários na política
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segunda-feira, 05 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''O modo de atuação do empresário na política brasileira está esgotado'', afirmou ontem em Curitiba o cientista político Augusto de Franco, durante o primeiro encontro organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para aproximar a classe empresarial das questões políticas. Franco explica que atualmente a participação do empresário não é direta, pois geralmente se restringe ao financiamento de campanhas eleitorais. ''Primeiro o empresariado financia a campanha. Depois ele tenta dialogar com o candidato'', disse.
A fórmula usual por parte dos empresários, no entanto, deve ser modificada, conforme enfatizou Franco. ''Primeiro porque financiar campanha não é garantia de diálogo'', aponta ele. ''O empresário é um ator político porque ele é capaz de formular projetos para o próprio desenvolvimento da sociedade. Duas características do empresário, a visão estratégica e a excelência de gestão, devem ser usadas para a construção do País e por isso ele deve ter uma participação direta'', justifica.
Uma das propostas para que o empresário passe a participar efetivamente da política já funciona desde maio, através de um site na internet www.redeempresarial.org.br cuja idéia principal é debater os principais assuntos ligados à política. ''A rede de participação, que não é aberta somente a empresários, está baseada em três eixos de discussão, sobre o voto responsável, o compromisso com uma agenda estratégica e a ética na política'', explicou Franco, lembrando que a articulação em rede não significa que o empresariado deve atuar de forma ''corporativa''.
''Já existe a participação do empresariado em grupo, quando o objetivo é defender interesses da categoria. Mas não é a atuação corporativa que estanos incentivando. O empresário deve ter uma atuação apartidária, de defesa dos interesses da sociedade'', afirma. Franco acredita inclusive que tal consciência sobre a participação do empresário no País tem aumentado nos últimos anos. ''Diante de crises políticas e de insegurança, o empresariado começa a perceber que deve atuar de forma direta. E eu acredito que a relação entre desenvolvimento e democracia está mais clara para o empresário hoje em dia'', afirma.
O próximo encontro promovido pela Fiep sobre a participação do empresário na política está marcado para quinta-feira, em Maringá, quando a idéia será apresentada para os empresários da região Norte do Estado.


