O professor de Filosofia e Ciência Política da Faculdades Curitiba, Marlus Vinícius Furigo, disse ontem que o levantamento feito pela Folha junto aos 54 deputados estaduais retrata de forma precisa a questão partidária-eleitoral do País. Para ele, o eleitor não leva em consideração a sigla na hora de escolher seu candidato porque a política no Brasil é feita de forma personalista, priorizando o político e não a ideologia e a doutrina do partido. Ele lembrou que o dia-a-dia do político brasileiro é marcado por práticas assistencialistas.
Na opinião do professor, o próprio horário eleitoral não favorece a discussão em torno de questões ideológicas. ''O horário eleitoral não é didático e não contribui para aprimorar o processo eleitoral'', afirmou. Furigo lembrou que poucas são as legendas políticas que têm uma postura ideológica definida e obedecida pelos filiados. A exceção, segundo ele, fica por conta dos partidos de esquerda. ''A prova disso é que em todas as eleições, são os partidos de doutrina à esquerda que recebem a maior parte dos votos dados à legenda e não ao candidato.''
O cientista político também condenou a legislação eleitoral que permite o constante troca-troca partidário. Na Assembléia Legislativa paranaense, por exemplo, 14 deputados trocaram de sigla no mês passado, às vésperas do prazo para mudanças. Furigo defendeu uma reforma eleitoral para evitar a dança de partidos e a perda de mandato para o parlamentar que decidir trocar de sigla depois de eleito. ''O político com cargo eletivo deveria perder seu mandato, que pertence ao partido pelo qual ele foi eleito'', afirmou.
Além da reforma do sistema eleitoral, o professor da Faculdades Curitiba ressaltou que o País deveria implantar o voto misto. Por este sistema, quem conseguisse se eleger com coeficiente de votos sem depender de legenda, poderia determinar posteriormente sua sigla partidária. (R.H.)

mockup