A cientista política Laura Frade, professora na Universidade de Brasília (UnB), diz que o lobby é um instrumento construtivo da política se for utilizado de forma ética. A professora, que fez palestra anteontem na Associação Comercial do Paraná (ACP) sobre o funcionamento do Congresso Nacional, disse que os grupos de pressão precisam ter maior participação no trabalho dos parlamentares.
Segundo ela, a cobrança e o acompanhamento das atividades dos deputados é ética e construtiva. ‘‘Não há equívoco ou erro em ir ao Congresso defender interesses, desde que esta ação seja feita eticamente’’, ponderou.
Laura acredita que o País está atravessando uma mudança de paradigmas. Ela apontou a renúncia do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) como um exemplo de que a pressão popular é legítima e necessária.
A professora explicou ainda que o fato de muitos deputados não estarem sempre na berlinda não significa que sejam pouco atuantes. Segundo ela, cerca de 100 dos 513 deputados federais detêm o poder decisório na Câmara dos Deputados, o que induz a população a acreditar que a maioria dos parlamentares é pouco atuante.
Na Câmara, segundo ela, têm visibilidade os parlamentares que atuam na presidência, mesa diretora, líderes de partidos, presidentes de comissões e relatores. Os demais, cerca de 400 deputados, limitam-se à apresentação de projetos e à votação em plenário.
De acordo com o coordenador do Conselho Político da ACP, Claudio Slaviero, as análises da cientista política contribuíram para que os empresários tenham maior clareza sobre a estrutura e o funcionamento do Congresso. ‘‘Foi uma troca de informações muito produtiva porque pudemos comprovar que estamos no caminho certo quando manifestamos nossas posições a respeito de temas políticos’’, avaliou.

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