Cientista aponta
que brizolismo
pode ressurgir
Um ressurgimento do brizolismo – fenômeno de esquerda populista que dominou politicamente o Rio de 1982 a 1994 – a partir da candidatura a prefeito de Leonel Brizola, não está descartado. A opinião é do cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj). Para ele, se concorrer à prefeitura, Brizola pode atingir as pretensões nacionais do governador Garotinho (PDT), que sonha ser candidato a presidente em 2002.
‘‘O lançamento de Brizola como candidato a prefeito, primeiro, desmantela a aliança de Garotinho no Estado; e, na possibilidade de vitória, inviabiliza Garotinho para 2002.’’ Segundo Figueiredo, o governador fluminense tira o seu prestígio do fato de a esquerda carioca majoritariamente o apoiar, quadro que mudaria fundamentalmente se Brizola conseguisse ser candidato e vencesse a disputa contra a sua vontade.
Figueiredo acha que Brizola ainda tem força para, com seu lançamento à prefeitura, virtualmente ‘‘torpedear’’ a candidatura da preferida do governador para concorrer ao cargo, a vice-governadora Benedita da Silva (PT). ‘‘Apesar de ter saído muito mal de seu último governo no Rio, Brizola ainda é uma personalidade muito forte da política local’’, afirma.
‘‘Ninguém em sã consciência poderia prever o que vai haver na eleição com a sua entrada na disputa.’’ Se vencesse, Brizola geraria o pior cenário possível para Garotinho, que passaria a enfrentar a oposição pelo menos do PSDB, do brizolismo encastelado na prefeitura da capital e de um vasto setor do PT na capital. ‘‘Considerando as pretensões presidenciais de Garotinho, seu principal adversário, hoje, no Rio, é Brizola’’, afirma o pesquisador.
‘‘Ele é o único que pode atrapalhar o governador, me parece que esse é o seu objetivo.’’ O cientista político acha que, se Brizola sair candidato, Garotinho não poderá, de jeito nenhum, apoiar outro concorrente, o que inviabilizará sua aliança com Benedita. (W.T.)

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