Cidade de SC cobra na Justiça IPTU de Khury
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Valmir Denardin Enviado a Porto União 
A Prefeitura de Porto União, cidade catarinense na divisa com União da Vitória (234 quilômetros de Curitiba), está tentando receber na Justiça impostos atrasados de propriedades da família do deputado Aníbal Khury, morto há um ano. Deputado estadual por nove mandatos e presidente da Assembléia por cinco vezes, Khury foi considerado o mais influente político paranaense nos últimos 50 anos.
Em Porto União, a família de Khury possui um loteamento residencial e um casarão histórico. Segundo o prefeito Eliseu Mibach (PMDB), a dívida soma pouco mais de R$ 100 mil. Outras fontes da prefeitura, consultadas pela Folha, asseguram que o valor superaria R$ 400 mil. Candidato à reeleição, Mibach evita falar do assunto. A família Khury contesta essa dívida.
A cobrança integra um pacote de ações contra devedores de impostos municipais, encaminhado à Justiça há cerca de um ano. O Aníbal nunca pagou imposto na vida, afirmou um funcionário da prefeitura que prefere não ser identificado. Se a soma de R$ 400 mil for confirmada, a dívida superaria o valor dos imóveis.
Khury nasceu em Porto União, mas sempre tentou esconder esse fato para associar sua imagem ao Paraná. Nos registros da Assembléia, sua origem era definida como da região de União da Vitória. Embora em Estados diferentes, Porto União e União da Vitória são separadas apenas pelos trilhos de uma linha férrea.
O loteamento da família do deputado não progrediu porque o terreno, à margem do Rio Iguaçu, é inundado a cada enchente. O imóvel mais interessante é o palacete, um castelinho em estilo germânico, construído em 1929 pelo professor alemão Pedro Weinand. Poliglota, Weinand foi enviado à região para ensinar línguas no Colégio São José, da congregação dos Irmãos Maristas.
O castelinho fica em um terreno de 980 metros quadrados, no centro de Porto União, e está tombado pelo patrimônio histórico municipal. Possui quatro pavimentos, com três amplas salas. Há mármore nas colunas e afrescos pintados a mão nas paredes e no teto. O palacete foi vendido em 1988, pelos netos de Weinand.
A intenção de Khury era transformar o imóvel em museu ou centro cultural. Com sua morte, seus assessores queriam instalar ali um memorial sobre a vida pública do deputado. Mas a idéia não progrediu e hoje a construção está semi-abandonada.
Ricardo Khury, filho do deputado e encarregado de administrar os bens da família, nega a existência da dívida. Não devemos um tostão, afirmou. Disse também que o loteamento e o castelinho foram doados à prefeitura, em pagamento dos impostos. Demos de presente e eles ainda querem cobrar?. A Prefeitura de Porto União nega que tenha recebido os imóveis.


