O Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá realiza hoje a primeira manifestação popular em favor do trabalho do Ministério Público, e pela punição dos envolvidos no desvio de dinheiro da prefeitura. O objetivo imediato do movimento é agilizar o processo de cassação do prefeito Jairo Gianoto (PSDB), acusado de participar do esquema de desvio de recursos públicos. ‘‘Tanto que ‘‘Dá tempo sim’’ é o nosso eslogan’’, disse ontem à Folha o advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, um dos coordenadores do movimento.
Ele explica que alguns vereadores, que sempre votaram junto com a administração, aprovaram a criação da Comissão Processante (CP), mas alegam não existir tempo para a cassação. ‘‘Queremos levar as pessoas para a rua e para a Câmara e pressionar pela cassação’’, diz. Rocha compara que, apesar dos mais de 45 dias até o final do ano, são necessários apenas 30 dias para todo processo correr até a votação. O único prazo inflexível, explica, são os dez dias para a defesa se manifestar.
O presidente da CP, Aldi Cezar Mertz (PDT), disse ontem que está agilizando ao máximo os trabalhos, e que na segunda-feira já instala a comissão e cita o prefeito. ‘‘Temos todo final de semana para analisar o processo e na segunda encaminhar a denúncia e chamar o prefeito’’, explica. Ele revelou à Folha que a assessoria técnica da CP será feita por funcionários da Câmara de Vereadores, e a jurídica por advogados indicados pela subseção local da OAB.
Analisando ‘‘superficialmente’’ a cópia do processo, Mertz diz que as provas coletadas pelo MP comprovam as irregularidades. ‘‘O trabalho realizado pela promotoria está agilizando todo processo da comissão’’, afirma. O presidente da CP não quer falar de valores. ‘‘O processo trata do desvio de R$ 2,6 milhões onde o ex-secretário Paolicchi (Luis Antônio Paolicchi) é acusado, mas vamos atuar apenas nos valores onde o prefeito é suspeito de participar do desvio’’, avisa. Gianoto é acusado de ter depositado em uma conta R$ 549 mil entre 1997 e o ano passado.
A vereadora Aparecida ‘‘Bia’’ Fabiana Correa (PT), que também lutou desde o início das denúncias para a formação da CP, acredita que Mertz vá agilizar todo processo. ‘‘Acho que vai dar tempo’’, aposta. Bia acredita que pela forma como era feito o desvio e o tempo que os acusados agiram, o ‘‘rombo’’ deve passar de R$ 50 milhões. Além de Mertz integram a comissão Chico Coutinho (PTB) e Shinji Gohara (PSN). Eles pretendem também consultar a assessoria jurídica da Câmara, para ver até onde as informações contidas no processo podem ser levadas a público.
Um dos trunfos da CP seria apresentar à comunidade, através da imprensa, como funcionava o esquema de desvio de dinheiro. Com isso, a comissão ganharia mais força da população. O Movimento em Defesa do Patrimônio Público também quer envolver a cidade em torno da questão. Alberto Wagner da Rocha diz que na manifestação de hoje, que começa às 10 horas na Praça Raposo Tavares, será aberta uma tribuna livre. ‘‘Queremos ouvir a opinião do povo para dar rumos aos trabalhos’’, explica.
Segundo ele, a idéia é, na próxima semana, realizar uma grande concentração popular e uma marcha da praça até a prefeitura, cobrando a punição dos envolvidos e a devolução do dinheiro desviado.
Além do prefeito Jairo Gianoto são acusados de participar do desvio o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e está foragido, além dos servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa, que também era assessor de Paolicchi. O ex-secretário e os três servidores respondem ação criminal por peculato, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Gianoto foi incluído na ação civil pública no final do mês passado, depois que o MP descobriu dinheiro desviado da prefeitura em uma conta dele. Antes de ser afastado do cargo, o prefeito pediu e conseguiu licença na Câmara. Isso para evitar o afastamento judicial, requerido pelo MP. Ele teve os bens indisponibilizados e agora diz que está levantando provas para comprovar inocência. Paolicchi e Corrêa também estão com os bens indisponíveis.

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