A cobrança popular para que o Senado puna Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, acusados de terem mandado violar o painel de votações da Casa, atingiu os demais parlamentares, que se sentem pressionados em defender a punição rigorosa para ambos. O presidente Ramez Tebet (PMDB-MS) e o relator Saturnino Braga (PSB-RJ), do Conselho de Ética, têm recebido em média 200 e-mails por dia pedindo justiça e punição. Com isso eles decidiram apressar os trabalhos para que o relatório final seja concluído na próxima semana.
Os senadores também negaram a articulação de um ‘‘acordão’’ para salvar ACM e Arruda. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que almoçou com Tebet anteontem à tarde, rechaçou a informação de que estaria à frente do ‘‘movimento de abafa’’ do caso. ‘‘Não há ambiente, intenção, espaço ou qualquer possibilidade de acordo’’, afirmou ele, em nota oficial, evitando emitir opinião sobre o processo. ‘‘O que a população exige é que nós investiguemos e apontemos os culpados – e que sejam punidos’’, completou.
Após a sessão de hoje, na qual ACM será ouvido, e a de amanhã, quando Arruda deverá depor, será encerrada a fase de investigações abrindo então a etapa de defesa dos dois senadores. Em seguida será apresentado o relatório para depois realizar a votação. Se aprovada a cassação, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terá de analisar o processo para encaminhá-lo ao plenário.
Tebet e Saturnino passaram a ter seus e-mails dominados por mensagens referentes à violação do sistema. ‘‘Já passou da hora de limpar este mar de lama que se tornou o Congresso’’, apelou um grupo de eleitores anônimos, de um certo Colégio São Mateus. Já uma dona-de-casa de Belo Horizonte alertou para que o Conselho de Ética seja firme a fim de estabelecer a punição necessária contra os responsáveis pela fraude do painel.
‘‘Acho que se deixarmos passar esta sujeira toda, estaremos cada vez mais colaborando para que o país seja o território das maracutaias e escândalos não esclarecidos’’, disse ela. ‘‘Acredito que seus valores morais não mudam conforme o sabor dos ventos’’, acrescentou Wilson, de 52 anos, de Campinas, dirigindo-se ao presidente do Conselho. ‘‘Vamos lavar a honra do povo brasileiro pois precisamos de dignidade e honradez’’, advertiu um advogado de Campo Grande (MS).

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