Cida planeja deixar R$ 2 bilhões em caixa para governo Ratinho Jr.
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terça-feira, 20 de novembro de 2018
Mariana Franco Ramos - Reportagem Local 

Curitiba - A governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP), deve deixar o Estado com cerca de R$ 2 bilhões em caixa para seu sucessor, Ratinho Junior (PSD). O saldo atual, repassado durante a primeira reunião de transição de governo, nessa segunda-feira (19), no Palácio Iguaçu, é maior, de R$ 5 bilhões, entretanto, ainda há compromissos assumidos com municípios e convênios, a serem acertados até o final do ano.
A pepista também garantiu que não irá comprometer recursos do orçamento fiscal de 2019, estimado em R$ 48,7 bilhões. O encontro entre as duas equipes durou pouco mais de duras horas e ocorreu a portas fechadas. A imprensa foi autorizada a entrar na sala apenas no começo, para fazer imagens. Ratinho não compareceu. Foi representado pelo coordenador da transição, Reinhold Stephanes, responsável pela elaboração de seu plano de governo.
Cida ficou o tempo todo, mas chegou e saiu por uma porta lateral, sem falar com os jornalistas. Stephanes e o chefe da Casa Civil, Dilceu Sperafico, concederam coletiva de imprensa. Eles contaram que, a partir de agora, haverá reuniões quase diárias com as secretarias maiores. "É uma situação tranquila, com volume para cumprir todas as ações iniciadas, todos os convênios. Inclusive, os restos a pagar de 2016 estão previstos no orçamento deste", disse Sperafico.
"Nos últimos quatro ou cinco anos, o Paraná é destaque nacional. Isso foi demonstrado com muita clareza, mas não significa que não haja preocupação, como existe em todos os estados brasileiros. Estamos perto do limite. Muitas questões financeiras vão depender do crescimento da economia", ponderou Stephanes.
De acordo com a atual administração, no próximo exercício haverá um acréscimo de R$ 1,9 bilhão no orçamento para áreas prioritárias em relação ao valor aplicado em 2018. A educação vai receber 15,6% a mais, ou seja, R$ 1,23 bilhão. Na saúde, a variação será de 9,4%, com o incremento de R$ 319 milhões, enquanto na segurança pública a alta é de 8,7%, com ampliação de R$ 330 milhões nas verbas orçamentárias. No total, o volume de investimentos públicos previstos para 2019 deve chegar próximo a R$ 7,5 bilhões.
O secretário da Fazenda, José Luiz Bovo, deu um panorama da situação financeira. Segundo ele, em outubro o saldo de aplicações financeiras era de R$ 7,4 bilhões. Já a despesa com pessoal alcançou 45,68% da receita corrente líquida, patamar que fica entre o limite de alerta e o limite presencial da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). A previsão de crescimento da folha para o próximo exercício é de 5,23%.
SERVIDORES
Nem Sperafico nem Stephanes adiantaram se será possível conceder a data-base do funcionalismo. O tema foi alvo de discordância entre Cida e Ratinho, então deputado estadual. O bloco PSC/PSD na AL (Assembleia Legislativa), liderado pelo então candidato, defendia a reposição da inflação, de 2,7%, enquanto a administração estadual dizia não ser possível conceder mais de 1% de aumento. "Temos de ser responsáveis em relação a isso", afirmou o coordenador do governador eleito.
Questionado se haveria algum problema para arcar com os pagamentos previstos dos servidores estaduais, como o 13° salário, Sperafico assegurou que não. "Já temos data programada e todos os compromissos serão cumpridos rigorosamente, sem alterar em nada o orçamento do ano que vem". Ele também falou que as ações dos últimos meses foram pensadas de forma a não interromper nenhum programa do governo que seja de interesse da população.
Da parte do governo, compõem a equipe de transição também o secretário Silvio Barros (Desenvolvimento Urbano), o controlador-geral do Estado, Carlos Eduardo de Moura, e o procurador-geral, Sandro Kozikoski. Da parte da futura administração, por sua vez, participam Guto Silva, João Carlos Ortega, Norberto Ortigara, Cláudio Stabile, Nildo Lübke e Heraldo Alves das Neves.


