Brasília - O ministro da Educação Cid Gomes (Pros-CE) pediu demissão à presidente Dilma Rousseff na tarde de ontem. A decisão foi tomada minutos depois de o titular da pasta deixar o Congresso, onde foi convocado a prestar esclarecimentos. Assim que deixou a Câmara, o ministro foi chamado para ter uma conversa com a presidente Dilma. Para ela, a manutenção de Gomes à frente da pasta ficou insustentável após sessão da Câmara dos Deputados em que o ministro manteve a declaração de que a Casa tem ampla maioria de achacadores. "Comunico à Casa o comunicado que recebi do chefe da Casa Civil comunicando a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes", disse Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Ao sair do Palácio do Planalto, Gomes defendeu a presidente, voltou a criticar o Congresso e disse estar "feliz" com sua saída. "A meu juízo ela tem as qualidades que são necessárias", afirmou.
Sobre o pedido de demissão, o ex-ministro afirmou que ele foi feito em caráter irrevogável, e que não deu espaço para Dilma dizer que não o aceitaria. Segundo ele, suas declarações de ontem tornaram a situação insustentável. "A minha declaração e, mais do que ela, a forma como eu coloquei a minha posição na Câmara, óbvio que cria dificuldades para a base do governo. Pedi demissão em caráter irrevogável, agradecendo a ela."
Ainda assim, Cid disse estar "feliz". "Eu estou feliz. Lamento pela educação do Brasil. Lamento porque tem muito o que fazer, e eu estava muito entusiasmado. Eu tinha muito entusiasmo pelo ministério da Educação. Já tinha visitado seis Estados em dois meses e pouco. Iniciamos projetos que são importantes para melhorar a educação pública no Brasil."

CRISE

"Tem muito discurso de oposição, muita gente que fala em corrupção. Isso parece ser uma coisa intrínseca ao governo, mas o que Dilma está fazendo é exatamente limpar o governo de corrupção que aconteceu no passado."
Segundo Cid, a atual crise ligada à Lava Jato "é anterior a ela (Dilma)". "Ela, ao contrário, como é séria, está limpando e não está permitindo isso." Para Cid, é justamente a atitude contra a corrupção que fragilizou a relação da presidente com o Congresso.
O ex-ministro lembrou da lista de parlamentares suspeitos de relação com o esquema de corrupção na estatal que o Supremo Tribunal Federal (STF) investiga. "Você viu do PP, quantos deputados recebiam mensalidade de um diretor na Petrobras? Isso era a base do poder. E ela está mudando isso. E isso, óbvio, cria desconforto."
Cid criticou novamente o Congresso. "A população está vivendo um momento difícil, a toda hora é bombardeada pela crônica da corrupção, mas o conceito que a população brasileira faz do Parlamento... eu considero o Parlamento fundamental para a democracia, o que é lamentável é a sua composição e a forma de o parlamento se relacionar com o poder", disse. "Virou o antipoder. Ou tomam parte do poder ou apostam no quanto pior, melhor, para assumirem o poder e muitas vezes fazerem as mesmas coisas que se está se fazendo, ou pior."

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