Curitiba - O ex-secretário de Estado de Governo José Cid Campêlo Filho requereu anteontem a notificação judicial de um juiz, três promotores e um procurador do Ministério Público (MP) estadual que atuaram na prisão preventiva decretada na semana passada contra ele e outras nove pessoas supostamente envolvidas em desvio de recursos que teriam ocorrido durante a vigência do contrato firmado entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Associação dos Diplomados da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (Adifea) da Universidade de São Paulo (USP).
O contrato de R$ 16,8 milhões foi firmado para a produção de um estudo de viabilização de créditos tributários. Segundo o MP, o estudo já havia sido feito anteriormente por funcionários da própria Copel. A Adifea, impedida de terceirizar serviços por não ter participado de licitação, repassou a responsabilidade do estudo para a Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon).
Cid Campêlo Filho diz ter sido vítima de uma ''ação armada com interesses políticos''. Ele alega que o juiz Marcelo Ferreira recebeu o pedido de prisão no dia 5 de abril. Ele teria que ler nove volumes com 2,2 mil páginas e 17 apensos com 2,5 mil páginas antes de dar um parecer. Entretanto, a prisão foi decretada no mesmo dia. ''A cidade quase se transformou numa guerra, com viaturas policiais correndo de um lado para outro como se estivessem para prender o mais famoso terrorista do mundo'', reclama Campêlo Filho na ação.
Além de Ferreira, estão sendo notificados pela Justiça os promotores José Geraldo Gonçalves, Marcelo Alves de Souza, Walber Alexandre de Souza e Cláudio Franco Félix. O procurador de Justiça, Erwin Gernandes Zeidler, e o governo do Paraná, na figura do procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, também são citados para notificação. ''Todos eles participaram para a prisão arbitrária e ilegal ocorrida no dia 6 de abril. Prova disso é que 14 horas depois eu já estava recebendo um alvará de soltura'', diz Campêlo Filho.
A ação cita que a competência de prisão de ex-secretário de Estado que supostamente tenha cometido crime é atribuição do Tribunal de Justiça (TJ). Portanto, Ferreira não teria poderes para decretar a prisão. ''Todos praticaram atos ilegais conscientes e deliberadamente. Quero que todos sejam notificados e saibam com antecedência que vão sofrer ações por danos morais depois que eu for absolvido na ação judicial. Estou buscando meu direito antecipado e vou receber inclusive os juros sobre a indenização de todo o tempo em que o processo tramitou na Justiça'', complementa.
A notificação dá a oportunidade para que os citados desistam da ação. O texto assinado pelo pai de Campêlo Filho, José Cid Campêlo, diz que se ''os atos ilegais praticados podem ser redimidos ou amenizados caso algum dos notificados desista das medidas requeridas''. ''O meu desgaste foi muito grande. Perdi clientes por causa da prisão. Tenho que explicar para famílias e amigos que nada tenho a ver com as denúncias investigadas pelo MP'', alega Campêlo Filho.

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