''A Justiça Criminal Federal não é nem louca de recusar a denúncia; primeiro a recebe para fazer a parte do circo, depois vem a parte do pão. Aí, com a República Romana composta, a imprensa satisfeita, as biografias são destruídas - mas não tenho visto aqui respostas, só denúncias.'' As palavras são do advogado João dos Santos Gomes Filho em entrevista coletiva na qual, em tom de metáfora, negou as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria Geral da União (CGU) contra o Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap). Foi a primeira manifestação da entidade, à imprensa, desde o escândalo que, em maio, culminou na prisão de 14 pessoas ligadas à oscip. Em julho, 21 foram denunciados pelo MPF por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público - cerca de R$ 300 milhões em todo o País, R$ 10 milhões só em Londrina. A Justiça já acatou a denúncia.
Gomes falou com repórteres em um hotel da Zona Oeste, ao lado da esposa de Dinocarme Aparecido Lima, presidente do Conselho de Administração do Ciap à época da prisão, Vergínia Mariani.
Em pouco mais de uma hora e vinte, 44 perguntas foram respondidas ou comentadas. Sobre as acusações de desvio feitas ao longo das investigações, sobre os cinco anos de repasses do Governo federal ao Ciap, por meio de convênios com prefeituras, pouco ou nada foi falado sob o argumento de que o processo corre em segredo de Justiça, em Curitiba. É lá, aliás, que estão ainda presos preventivamente, desde maio, Lima, dois filhos e um contador. O advogado aguarda análise dos pedidos de habeas corpus.
Vergínia, que ficou presa quatro dias na PF de Londrina, explicou a ação dos policiais no dia 11 de maio na casa dela, de familiares e em empresas e na oscip, e afirmou que ''a Justiça que busca nos condenar não respeita a lei'' ao manter ainda preso o marido, que tem 72 anos, e a filha, com dois filhos de um e cinco anos. A empresária afirmou que uma carta anônima teria motivado toda a investigação, que teve ramificações em quatro estados. Para o advogado, outra metáfora define o que se sucedeu às ''dúvidas da CGU que não pudemos administrativamente explicar, antes'': ''Foi uma caça às bruxas''.
''A CGU controla as verbas da União e levantou divergências aqui. O relatório preliminar do órgão deflagrou a operação da PF, mas posso dizer: toda denúncia é só uma tese, e no processo vamos responder essas dúvidas. Psso garantir é que não houve desvio de verbas, e que toda tese carece de comprovação.'' Sobre o andamento do processo, afirmou apenas que, dia 13 de setembro, acontece a audiência para oitiva das primeiras testemunhas - no caso, as de acusação.

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