O juiz da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, Marcus Holz, acatou ontem à tarde o pedido de liminar formulado em ação do Ministério Público Federal (MPF) e determinou a nomeação de um interventor federal para o Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap). A entidade, alvo da ''Operação Parceria'' deflagrada em maio passado pela Polícia Federal (PF), Receita Federal e Controladoria Geral da União (CGU), foi acusada de desviar pelo menos R$ 300 milhões de um total de R$ 1 bilhão recebidos por meio de convênios entre ministérios da Saúde e do Trabalho e Emprego e prefeituras do Paraná e de outros três estados. Em Londrina, os desvios teriam superado os R$ 10 milhões; quatro pessoas ligadas à oscip, entre as quais o presidente deposto do Conselho de Administração, Dinocarme Aparecido Lima, dois filhos dele e um contador seguem presas em Curitiba. Um integrante da suposta quadrilha, apesar de estar com prisão preventiva decretada desde maio, está foragido.
A liminar de ontem foi pedida na mesma denúncia criminal de 21 de julho passado na qual o MPF denunciara 21 pessoas ligadas ao Ciap por crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, já acatada pela Justiça contra 18 dos citados. As audiências de instrução do processo tiveram início em Londrina no último dia 2, quando o juiz federal criminal Eduardo Appio ouviu parte das testemunhas de acusação. Em Londrina, o Ciap mantém convênios com a administração municipal para execução do Programa Saúde da Família (PSF), Samu, Policlínica e controle de endemias, os quais, já informou a Prefeitura, serão rescindidos ou, caso da Policlínica e do controle de endemias, encampados pelo Município.
Segundo a assessoria de imprensa do MPF, o pedido de liminar foi formulado pelo procurador federal Elton Venturini e o interventor já teria, inclusive, sido nomeado. A assessoria de imprensa da Justiça Federal confirmou a ordem para a intervenção, mas não entrou em detalhes - como nome do interventor, data e local da posse e atribuições dele, por exemplo -, sob alegação de que o processo corre sob segredo de Justiça.
A FOLHA tentou contato com dois advogados do Ciap. Maria Lúcia Buzato disse que estava fora de Londrina e não teria esclarecimentos a fazer - apenas quem poderia se manifestar a respeito, argumentou, seria o colega João Gomes. A reportagem chegou a contactá-lo, mas, antes mesmo de o assunto da entrevista ser colocado, logo em seguida o celular do advogado desligou e ele não atendeu mais.
O procurador-geral do Município, Demétrius Coelho, afirmou que soube da intervenção federal ''pela imprensa'', mas que hoje iria ao MPF obter informações sobre o papel do interventor, sobretudo em relação aos convênios com o Município. ''A gente vai ter que ver como vai pagar esse mês (que vence no quinto dia útil); em tese, talvez seja feito o pagamento ao interventor. Mas pedimos documentos (que liberem a verba mensal de R$ 2 milhões dos convênios) ao Ciap e a entidade ficou de nos enviar até amanhã (hoje); se apresentarem, isso segue à Saúde e à Controladoria para conferirem'', resumiu. Em coletiva há duas semanas, o Ciap anunciou que realiza uma auditoria externa com ''enfoque interventor'', mas não definiu prazos para conclusão ou apresentação de resultados.

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