O Plebiscito Nacional da Dívida Externa começou ontem em Curitiba com movimento fraco. A votação externa – no calçadão da Rua XV de Novembro, em praças e feiras – foi suspensa devido à chuva e ao frio.
No Centro de Formação Urbana e Rural Irmã Araújo, onde funciona o comitê central da votação, apenas cinco pessoas haviam votado até as 11 horas.
As entidades que estão organizando a consulta, que é coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), querem saber a opinião dos cidadãos sobre a forma de pagamento das dívidas externa e interna e sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O resultado deve sair até o dia 17 deste mês e será entregue ao presidente Fernado Henrique Cardoso (PSDB).
Em Londrina, o início do plebiscito externa foi marcado por uma oração coordenada pelo padre Antonio Garcia Peres, assessor - da Pastoral do Migrante, na sede da APP-Sindicato.
Estiveram presentes cerca de 50 lideranças de movimentos de classe e também o candidato a prefeito pelo PT, Nedson Micheleti. ‘‘Hoje temos consciência de dizer que essa dívida merece ser discutida porque a classe trabalhadora não suporta mais essa sangria’’, discursou Luiz Martins, presidente da APP-Sindicato.
Segundo o padre Garcia, cerca de 300 urnas foram distribuídas por todas as regiões de Londrina, incluindo a zona rural.
No total, foram confeccionados 100 mil cédulas de votação, além de outras 15 mil feitas pelo sindicato dos professores. ‘‘A receptividade desse plebiscito tem sido muito grande’’, avaliou.
A primeira pessoa a participar do plebiscito foi a professora Terezinha Vieira Navarro, de São Jerônimo da Serra (Norte do Paraná).
Ela votou pelo rompimento do acordo com o FMI, defendeu uma auditoria pública sobre a dívida e pediu para que os governos deixem de usar grande parte do orçamento público para pagar a dívida a especulador.
‘‘Esse é uma dívida que a gente não fez e por isso não é justo que a gente pague’’, afirmou a professora após depositar seu voto.

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