O Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá cancelou ontem o ato marcado para a Praça Raposo Tavares, mas já programou um ‘‘enterro simbólico’’ do Executivo, do Legislativo e do Tribunal de Contas (TC). O enterro deve ser realizado na próxima terça-feira, em frente à Câmara de Vereadores, provavelmente antes da sessão das 20 horas. ‘‘O desvio de dinheiro da prefeitura ocorria há pelo menos 12 anos, e ninguém fez nada durante todo esse tempo’’, desabafa Clodoaldo Francisco de Assis, da Pastoral da Juventude e membro do movimento.
Ele lembrou que nas últimas legislaturas, vereadores de oposição ‘‘tentaram’’ iniciar investigações de suposto desvio de dinheiro na prefeitura. ‘‘Foram vários requerimentos enviados ao Executivo e muitos nem respondidos’’, explica. Agora o movimento pretende chamar a atenção da comunidade sobre a passividade do Legislativo e também do TC, responsável pela análise e aprovação das contas públicas. ‘‘Queremos despertar no cidadão a necessidade de cobranças dos vereadores’’, diz Assis.
A proposta do movimento, segundo ele, não é de apenas reaver o dinheiro de volta e punir os envolvidos. São acusados de participar do desvio de R$ 3,1 milhões o prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido), o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, além dos servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa. Assis lembra que o eleitor deve escolher com consciência o candidato, e depois da eleição acompanhar o trabalho dos eleitos. ‘‘Não estamos colocando em dúvida a identidade dos poderes, mas cobrando que cumpram seu papel’’, lembra.
O movimento quer também ser permanente, e não apenas acompanhar o desenrolar das denúncias de desvios. ‘‘Depois deste caso solucionado queremos continuar cobrando seriedade e transparêcia do setor público’’. Ele disse ainda que os protestos organizados aos sábados continuam na próxima semana. O enterro de terça-feira será o segundo ‘‘trabalho’’ do movimento. Na semana passada, os manifestantes lavaram a entrada da Câmara. ‘‘Apesar da reação de alguns vereadores, vamos manter nossa posição de cobrar punição aos resposáveis pelo desvio e a devolução do que foi tirado dos cofres públicos’’, adianta Assis.
Depois do ato de terça-feira passada, o vereador Chico Coutinho (PTB) ironizou o advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, coordenador do movimento, pelo fato de o advogado ter participado da administração do ex-prefeito Said Ferreira (sem partido). ‘‘O movimento não é de uma pessoa, mas de 38 entidades que estão unidas em favor da comunidade e não vamos desistir por pressão’’, garante o representante da Pastoral da Juventude .
Amanhã às 14 horas termina o prazo da Justiça Federal para Paolicchi se apresentar. Ele está com prisão preventiva decretada desde meados de outubro, mas continua foragido. Os advogados dele continuam sustentando que o ex-secretário vai aparecer para depor, mas não falam em data. Na sexta-feira termina o prazo para Gianoto apresentar defesa na Comissão Processante da Câmara, aprovada para analisar o envolvimento do prefeito afastado.

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