O mau tempo atrapalhou ontem o último comício reservado pelo candidato das oposições à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Paraná para o primeiro turno das eleições. A chuva incessante obrigou a coordenação da campanha de Lula no Estado a cancelar o ato público agendado para às 18h30 na Boca Maldita, centro de Curitiba, o mesmo local escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para encerrar, amanhã, sua campanha pela releeição.
O discurso final de campanha no Paraná tratou da crise econômica. Lula disse que se eleito não vai negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Não espero a ajuda do FMI. O que precisamos nesse momento é criarmos juízo. O governo deve investir mais em questões daqui, ao invés de ficar de joelhos diante dos agiotas’’, criticou. Para o sindicalista, a política adotada pelo governo FHC tem custado caro. ‘‘Só em juros, teremos de pagar R$ 67 bilhões’’, fez previsão.
Lula voltou a fazer suspense ontem sobre quais as medidas administrativas que pretende apresentar aos eleitores para frear a crise. ‘‘Vai ficar para quarta-feira mesmo’’, avisou. O candidato apenas adiantou que defende o aumento da poupança interna, uma reforma tributária urgente, e uma política de conversações que traga ao Brasil capital externo, afastando o capital especulativo. ‘‘O governo Fernando Henrique não quer dinheiro para resolver a crise. Quer ajuda financeira sem embasamento, o que pode tornar a situação mais delicada ainda’’, avaliou ele.
Lula chegou a Curitiba por volta das 15 horas. Ele veio acompanhado do candidato a vice-presidente, o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola (PDT), que seguiu junto para Santa Catarina no início da noite. O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro também desembarcou para a entrevista coletiva organizada pelo PMDB-PT-PDT estaduais, no plenarinho da Assembléia Legislativa. O candidato do PMDB ao governo do Paraná, senador Roberto Requião, fez um discurso de abertura.
Requião pediu votos para Lula e criticou a política financeira adotada pelos governos federal e estadual. Ele criticou a vinda da montadora francesa de automóveis Renault ao Paraná, durante a coletiva. Brizola centrou fogo no apelo à militância. O pedetista pediu aos paranaenses para que ‘‘deixem o preconceito de lado’’ para votar no candidato do PT. ‘‘Se o presidente se reeleger, ele vai se sentir legitimado para vender o País. Não deixem que isso aconteça. Precisamos ter coragem. O Lula é o presidente que o Brasil precisa’’, discursou.Kraw PenasApeloLula: O governo deve investir mais em questões daqui, ao invés de ficar de joelhos diante dos agiotas’’Leandro Donatti

mockup