Chirac propõe reformulação na ONU
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Das Agências De Brasília 
France PressePropostasO presidente francês Jacques Chirac recebe os cumprimentos do presidente brasileiro: sugestões bem recebidasO presidente da França, Jacques Chirac, reafirmou, durante a reunião de trabalho com o presidente Fernando Henrique Cardoso e ministros franceses e brasileiros, no Palácio do Planalto, a necessidade de uma reforma na Organização das Nações Unidas (ONU) e a ampliação dos membros no Conselho de Segurança da instituição de dois ou três países do hemisfério sul.
O presidente francês reconheceu também as dificuldades impostas no exterior aos produtos agrícolas brasileiros. Segundo relato do porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, Chirac considerou que as conversas em torno da agricultura estão presas a um sistema intelectual falso, porque, na sua avaliação, se de um lado há fome no mundo, de outro existe a capacidade produtiva de alimentos. Para Chirac esses temas poderiam ser aprofundados na Conferência Geral Franco-Brasileira, no final deste ano.
O porta-voz informou também que, dentro da intenção de promover uma maior parceria e intercâmbio entre a Europa e América Latina, o presidente Jacques Chirac sugeriu duas reuniões no final do próximo ano, ao mesmo tempo, com os chefes de Estado do Mercosul e a União Européia e em seguida com os chefes de Estado de toda a América Latina. Chirac, segundo Sérgio Amaral, está convencido que, a partir desse encontro, poderão ser tomadas soluções novas sobre problemas antigos, como no caso agricultura.
Durante ainda a visita de Jacques Chirac ao presidente Fernando Henrique Cardoso, foram assinados dois acordos: o de cooperação técnica e operacional para a segurança pública, com compromissos de assistência nos casos de tráfico de drogas, imigração irregular e terrorismo, e de modernização e aparelhamento do Departamento da Polícia Federal no Brasil, principalmente na base terrestre do Projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. Os dois presidentes assinaram também um memorando de cooperação de área de turismo.
No Congresso Nacional, o presidente francês reafirmou que pretende ocupar espaço nas relações com o Brasil e América Latina e afastar o predomínio dos Estados Unidos nas relações com o continente sul-americano. Durante a sessão solene do Congresso em sua homenagem, Chirac voltou a defender a realização de uma reunião de cúpula já no próximo ano entre os chefes de governo da América Latina e da Europa.
Em um recado direto aos Estados Unidos, o presidente francês disse: As afinidades, a sua história comum (referindo-se a União Européia e ao Mercosul), os seus interesses bem definidos, o apego mútuo a sua identidade e a recusa de um mundo unipolar levam-os a se aproximar, a desenvolver intercâmbios e a aprofundar concertações. Chirac frisou que a intenção de seu país não é impor um modelo a ser seguido pelos brasileiros. Mas apenas de ajudar os países do Mercosul a progredir à sua maneira e ao seu ritmo, evitando erros que já cometemos por imaturidade, observou.


