Chirac ganha o ''combate de sua vida''
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de maio de 2002
France Presse 
Paris Jacques Chirac, reeleito ontem presidente da França com 81,96% dos votos contra seu adversário ganhou assim o que ele mesmo classificou como o combate de sua vida.
Depois da vitória, obtida com o apoio dos partidos de esquerda e de direita, das igrejas, dos sindicatos, das organizações patronais e de múltiplas associações, Chirac deverá reconquistar aos 69 anos de idade os favores dos franceses. Estes, em 1997, dois anos depois de tê-lo eleito, castigaram sua decisão de dissolver a Assembléia Nacional dando a vitória para as esquerdas nas legislativas.
O mandatário deverá conduzir agora sua coalizão de direita a uma vitória nas eleições legislativas de junho se quer ter uma maioria na Assembléia Nacional que lhe permita ter um governo de direita. Assim poderá aplicar seu programa em vez de cair em um novo período de coabitação se a esquerda tomar a vantagem nessas eleições.
Chirac se vê assim mais uma vez confrontado a seu destino político fora de norma, que o transformou em 21 de abril, além das distâncias ideológicas, em defensor da República frente à extrema-direita liderada por Le Pen, que eliminou da corrida eleitoral o candidato da esquerda, o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin.
Fragilizado por cinco anos de áspera coabitação com o primeiro-ministro, enfraquecido pelas divisões de seu campo e pelos escândalos, alvo de ataques virulentos, Chirac renasce mais uma vez das cinzas da direita e frente ao candidato de extrema-direita Jean-Marie Le Pen aparece como uma muralha.
O presidente enfrentou com uma gravidade talvez desacostumada, segundo as palavras de Alain Juppé, um de seus próximos, a batalha mais paradoxal de uma vida política rica em sobressaltos. Cem vezes os observadores anunciaram seu fim e cem vezes foi uma ressurreição.
Enfim, em 21 de abril deste ano, com 19,88% dos votos, distanciou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que tinha orientado sua campanha contra ele. Ironia da política, seus adversários esquerdistas precisaram calar as críticas depois do primeiro turno. Os que ironizavam sobre este homem instável, este presidente camaleão, inclusive este quase delinquente foram obrigados a pedir o voto para ele neste 5 de maio.


