Chinaglia responde ao STF e critica o Senado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Felipe Recondo<br>Agência Estado 
Brasília - A quatro dias de deixar a presidência da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) elevou o tom das críticas ao Senado. Em resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a recusa de promulgar a PEC dos Vereadores - que ampliou o número de vagas nas assembleias legislativas do país -, Chinaglia afirmou que cometeria uma ilegalidade se seguisse o exemplo do Senado e rebateu as críticas feitas pelo presidente da Casa, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).
O documento é uma satisfação ao pedido feito pelo ministro do STF, Carlos Alberto Direito, que precisava de informações sobre o caso para poder julgar o mandado de segurança protocolado pelo presidente do Senado na tentativa de obrigar a Câmara a promulgar a PEC.
''Esta presidência repudia a deselegante e imprópria menção na inicial (o texto do mandado de segurança), de que a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados mereceria repreensão pelo Supremo Tribunal Federal por seus atos. Tal assertiva, referindo-se a ato soberano de órgão diretor de casa do Poder Legislativo, revela-se, no mínimo, incabível e impertinente'', afirmou Chinaglia no documento endereçado ao presidente do STF, Gilmar Mendes, que será anexado ao processo.
O conflito entre Câmara e Senado começou em dezembro do ano passado. Os deputados aprovaram a proposta de aumento do número de vereadores, mas condicionaram essa elevação a um limite de gastos das assembleias legislativas. Quando o texto chegou ao Senado, essa limitação foi retirada e o texto devolvido à Câmara para a promulgação.
Chinaglia recusou-se a promulgar a proposta por conta dessa alteração. Defendeu que o texto deveria ser novamente submetido à votação em dois turnos no plenário da Câmara. O presidente do Senado apelou ao STF que, por sua vez, pediu mais informações.
''A Mesa da Câmara dos Deputados só está vinculada à promulgação de emenda que tenha sido regularmente votada nas duas Casas, como determina a Constituição Federal'', afirmou no documento. E acrescentou: ''É seu dever deixar de fazê-lo (promulgar a PEC) no caso de proposta cuja tramitação não tenha seguido o devido processo legislativo constitucional. A Mesa da Câmara dos Deputados não vai trilhar o caminho da ilegalidade''.
No pedido feito ao Supremo, o presidente do Senado defendia a obrigatoriedade da promulgação pela Câmara e fez severas críticas à decisão de Chinaglia. ''Ao permitir-se que uma Emenda Constitucional já validamente aprovada não seja promulgada por simples alvedrio de uma das Mesas Diretoras do Congresso Nacional, aviltar-se-á diuturnamente o Poder Legislativo e as instituições democráticas do País'', afirmou à época. Pela proposta aprovada pelo Senado, o número de vereadores no país passa dos atuais 51.748 para 59.791 - um aumento de 7.343.


