Brasília - O candidato a presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP), que havia confirmado participação no debate na TV Câmara, mostrou ontem que não quer enfrentar o diálogo com o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o candidato Gustavo Fruet (PSDB-PR) ao mesmo tempo.
Chinaglia propôs que sejam realizados programas separados com apenas dois candidatos de cada vez. A reação foi imediata: ''Isso é uma forma de inviabilizar o debate'', contestou Fruet. Rebelo manteve, oficialmente, o debate, que deverá acontecer na quarta ou quinta-feira. Ele disse estar surpreso com a proposta do candidato do PT de São Paulo a presidente da Câmara porque o que ficou acertado, numa reunião ontem mesmo com ele, era a participação do petista no debate. Na segunda-feira, os assessores dos três candidatos deverão reunir-se para tratar das regras e definir a data.
Chinaglia negou que essa proposta nova seja uma forma de fugir ao debate com os outros dois e evitar ser o principal alvo de perguntas mais constrangedoras dos adversários. O candidato do PT de São Paulo a presidente da Casa tem o apoio formal dos partidos envolvidos no escândalo do ''mensalão'' e deverá ser bombardeado por interrogações mais embaraçosas para explicar o caso. ''Todos debaterão com os outros dois candidatos. Essa forma permite um aprofundamento maior. Quando se faz o debate direto, não tem interferência de um terceiro'', argumentou, na defesa da fórmula de debate. ''Dois contra um pode acontecer em qualquer hipótese'', disse.
Chinaglia evitou fazer avaliações sobre um eventual segundo turno e disse não acreditar na hipótese de uma aliança entre Fruet e Rebelo. ''Não creio que alguém entre numa disputa visando abrir mão dela. Eles trabalham para ganhar as eleições. Admitir isso (aliança dos concorrentes no segundo turno) seria dizer que sou o candidato mais forte'', afirmou. ''Há muita especulação. Há muita gente acreditando em papai Noel. Estou trabalhando para ganhar no primeiro turno'', disse.
O candidato do PSDB do Paraná a presidente da Câmara, que entrou na disputa nesta semana, defendeu o programa na forma original, com a participação de todos os opositores. ''O ideal é com os três'', afirmou. Fruet considerou que, em caso ''extremo'', concordaria com a sugestão do candidato do PT de São Paulo porque não se nega a debater. ''Sugiro que o primeiro debate seja entre nós dois'', declarou Fruet, provocando Chinaglia.
Gustavo Fruet disse ainda que o petista, ao propor essa forma de debate, parte do pressuposto de que os veículos de comunicação não são sérios e, além disso, transmite a idéia de que a discussão não será qualificada. ''Todos têm de ter responsabilidade. Esse debate é a favor da instituição'', garantiu Fruet.

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