Brasília - Para segurar em Brasília os parlamentares gazeteiros que trocam o plenário pelos arraiais do Nordeste, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou telegrama, convocou sessão no plenário e avisou que haverá desconto no salário do deputado que faltar as sessões de hoje, quarta-feira e de quinta-feira. As festas juninas, tradicionais no Nordeste, e a realização das últimas convenções partidárias, cujo prazo termina no próximo final de semana, não serão argumentos para as ausências, garantiu Chinaglia.
''Aquele que faltar e não estiver de acordo com o regimento, com justificativa, vai ter falta. É inapelável'', sentenciou o presidente da Câmara. Ao contrário do Senado, que liberou os parlamentares para ficarem festejando em seus Estados, na Câmara haverá pauta de votação. ''Não me cabe subordinar o regimento da Casa à manifestação cultural, que eu respeito. Todos nós pagamos um preço e temos de fazer escolha. Quem considerar que a festa de São João mereça sua presença não se incomodará com a falta'', disse.
O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), afirmou que, em Recife, houve a troca do feriado de Corpus Christi, quando houve trabalho, pelo dia de São João, comemorado hoje. A festa, no entanto, começou na noite de ontem. O deputado conta que o nordestino valoriza muito as festas de São João e que, além de ser uma comemoração da família, os festejos exigem a presença do parlamentar. ''Os deputados são muito demandados nessa época. Os prefeitos convidam os parlamentares para visitar seus municípios'', afirmou Araújo, que cumpriria uma agenda cheia na noite de ontem. Assim como Bruno e outros deputados nordestinos, o pernambucano Inocêncio Oliveira (PR) também avisou em seu gabinete que não irá a Brasília nesta semana.
Na Câmara, na véspera de São João, apenas 38 deputados, do total de 513, havia entrado na Casa entre 7h52 e 17h37. Esse número é menor do que o mínimo de 51 exigido para dar a sessão como realizada. No Anexo IV, onde se situam o maior número de gabinetes, os corredores estavam desde ontem enfeitados com bandeirolas.
O deputado que se orientar por Chinaglia e escolher dar presença na sessão encontrará uma pauta com dois assuntos de interesse do governo para ser votada. Uma medida provisória e um projeto de lei em regime de urgência do Executivo estão trancando a pauta.
A conclusão da votação do projeto que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS) e que regulamenta os recursos obrigatórios da União, dos Estados e dos municípios para a Saúde não será votada nesta semana, segundo avisou o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS). O líder não acredita que haverá quórum e comunicou a base que a votação do ponto pendente do projeto ficará para a próxima semana.

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