Chinaglia defende fim de nepotismo nos três Poderes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de março de 2007
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu ontem a votação do fim do nepotismo (contratação de parentes) nos três Poderes pelo Congresso Nacional. Segundo reportagem publicada pela ''Folha de S.Paulo'', no primeiro mês de trabalhos da nova legislatura a Câmara contabilizou pelo menos 68 casos de nepotismo na Casa.
''O que eu defendo é que o Congresso delibere sobre o tema para todos os poderes. Temos que criar condições para que haja deliberação em plenário. Não pode haver tema proibido, esse tema é recorrente. Em algum momento vamos votar, só não sei dizer quando'', afirmou.
Chinaglia sinalizou que o Congresso não deve colocar em votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que já tramita na Casa proibindo o nepotismo nos três Poderes. Segundo Chinaglia, há problemas no texto da PEC que precisam ser corrigidos. Ele não adiantou, no entanto, se vai sugerir a apresentação de nova proposta para proibir a prática.
O presidente da Câmara abriu espaço no plenário da Casa ontem para que deputados acusados de contratar parentes em seus gabinetes apresentassem defesa pública. Chinaglia disse que vai encaminhar os casos contestados pelos parlamentares para investigações na Procuradoria da Casa.
''As bancadas dos partidos devem trabalhar para formatar opiniões sobre o tema, porque em algum momento vamos votar'', afirmou.
O deputado Jair Bolsonaro (RJ), que segundo a ''Folha'' emprega em seu gabinete familiares da mulher, reagiu de forma irada à denúncia. ''Essa hipocrisia não pode ir para frente. Estão pegando isso para me esculachar? Eu não vou tirar os meus parentes. Quem não quiser, não vote em mim'', enfatizou.
Com salários que variam de R$ 720 a R$ 8.040, os ''assessores-parentes'' representam um gasto anual de R$ 3,6 milhões aos cofres públicos. Segundo levantamento da ''Folha'' nos boletins administrativos da Casa, 52 deputados empregam os filhos - que representam 40% do total de familiares lotados nos gabinetes. Mas há o emprego de irmãos, mulheres, primos, sobrinhos, cunhados e até concunhada e ex-cunhada.


