Chinaglia assume presidência por 36 horas
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Poucas horas antes de assumir interinamente a presidência da República, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), classificou como ''zero'' a chance de aprovação na Casa da proposta que altera a Constituição para permitir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dispute um terceiro mandato consecutivo. Para ele, é mais fácil a Câmara aprovar uma proposta acabando com a possibilidade de reeleição para presidente, para governador e para prefeitos. Chinaglia assume interinamente a Presidência em virtude da viagem de Lula à Suíca, ontem, e da cirurgia do vice-presidente José Alencar, marcada para hoje. Será a primeira vez que Chinaglia ocupará interinamente o cargo.
''A chance (de aprovar terceiro mandato), do ponto de vista político, é zero. Esse é o não fato. Está rigorosamente na contramão do que se discute, que é acabar com a reeleição para cargos no Executivo. O mais provável é nós nos debruçarmos, não estou dizendo que vai acabar ou não, na proposta que extingue a reeleição. Não vejo ninguém defender isso (proposta para terceiro mandato)'', disse Chinaglia.
Petistas ligados a Lula já têm pronta uma proposta de emenda constitucional, ainda a ser protocolada na Câmara, para permitir um terceiro mandato consecutivo para o presidente. Lula negou estar por trás dessa articulação.
Com a previsão de ficar cerca de 36 horas na presidência da República, Chinaglia pretende passar pelo cargo com discrição. Com o firme propósito de aprovar na Câmara uma proposta de emenda constitucional para restringir o uso de medidas provisórias, o presidente em exercício reza para que não tenha de assinar uma delas durante essa rápida substituição de Lula, que está em viagem a Zurique. ''Não tem uma medida provisória aí para o Arlindo assinar?'', brincou o presidente Lula.
Na Câmara, ontem, o clima foi de descontração. Em uma conversa com os jornalistas, bem-humorado, Chinaglia tentava convencer que o seu corte de cabelo não foi motivado pela ocasião. Tentava explicar o mesmo com o terno e a gravata impecáveis que vestia. Quando percebeu que não tinha sido convincente, brincou com o próprio sorriso, referindo-se a uma falha que tem do lado direito da arcada superior. ''Cheguei a pensar em colocar o dente'', brincou.
Desde que foi avisado que ocuparia temporariamente a cadeira de Lula no Palácio do Planalto, Chinaglia tem dito que estará cumprindo uma determinação constitucional e torcendo para que o vice-presidente, José Alencar, se recupere da cirurgia marcada para hoje. ''Vamos estar torcendo para que ele tenha uma breve recuperação. Estou cumprindo um desígnio da Constituição sem nenhuma expectativa fora disso'', afirmou.
A Constituição estabelece que na ausência do presidente da República e de seu vice, o presidente da Câmara assume a cadeira. Essa função constitucional do presidente da Câmara já foi motivo de escândalo no passado. Em 1989, o então presidente da Câmara, Paes de Andrade (PMDB-CE), ao assumir interinamente a presidência da República na ausência de José Sarney encheu o avião presidencial de amigos e foi festejar em sua cidade natal, Mombaça (CE). Além da desmoralização de Paes de Andrade, o evento serviu para colocar Mombaça no mapa político do País.


