Chinaglia admite dificuldade para votar novo pacote de projetos
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - Um dia após a aprovação de um pacote de medidas, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), sinalizou ontem que dificilmente outra maratona de votações se repetirá. Pressionado por integrantes do Judiciário, o petista reconheceu que uma das dificuldades é incluir na pauta a proposta que reajusta em cerca de 3% os salários dos servidores do Poder, incluindo os dos ministros de tribunais superiores.
Por acordo de líderes partidários, os deputados negociaram uma relação de 20 itens que devem ser votados até a próxima semana. Na quarta-feira, sete foram aprovados. Faltam ainda temas, como a Lei Geral de Turismo, que trata sobre adoção, crimes de extermínio e responsabilização de secretários municipais, entre outras propostas.
Otimista, Chinaglia disse que o acordo para as votações será mantido. Mas indicou desconfiança sobre a possibilidade de haver uma nova maratona de votações, como a registrada ontem. Por segurança, será realizada uma reunião de líderes na terça-feira que vem para definir as propostas consensuais.
''Quando se ganha de goleada, cria-se expectativa, mas creio que vamos voltar outros projetos na semana que vem'', disse Chinaglia.
Polêmica
Chinaglia confirmou que há divergências sobre o projeto que estabelece reajuste de cerca de 3% nos salários dos integrantes do Judiciário. Pela proposta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, passariam a receber R$ 25,2 mil - atualmente o salário é de R$ 24,5 mil.
O reajuste teria efeito cascata sobre os demais salários do Poder Judiciário, aumentando os salários dos ministros, procuradores, sub-procuradores e demais servidores.
Na reunião de líderes realizada quarta-feira, alguns partidos sugeriram a inclusão da proposta. Mas o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), disse ter se manifestado contra o reajuste. Ontem, Chinaglia admitiu que também considera a discussão imprópria.
''Como presidente da Câmara eu quero me relacionar bem com todos os Poderes', disse o petista. ''Mas quero lembrar que no passado, quando era líder, fui o único a votar contra um reajuste.'
Chinaglia e o presidente do STF, Gilmar Mendes, trataram sobre a proposta de reajuste do Judiciário em uma reunião que tiveram recentemente, na Câmara.


