China manda norte-americanos para Manilla
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Elisabeth Zingg <br>France Presse 
PequimVinte e cinco norte-coreanos que se refugiaram na véspera na embaixada da Espanha em Pequim conseguiram, ontem, 24 horas depois de entrar, autorização para deixar o país e a China evitou assim outra polêmica sobre o tratamento que dá aos refugiados da Coréia do Norte.
Os norte-coreanos, que entraram na embaixada da Espanha ameaçando suicidar-se se fossem levados à força de volta a seu país, partiram de Pequim para Manila, nas Filipinas, de onde viajarão depois à Coréia do Sul.
A China quis esvaziar o problema o mais rapidamente possível, informou ontem um diplomata ocidental, antes de assinalar que Pequim tenta evitar qualquer polêmica, em particular com os Estados Unidos, em relação à sua controvertida política de repatriação forçada de refugiados norte-coreanos, menos de um mês depois da visita à China do presidente norte-americano George W. Bush.
O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, anunciou ontem numa entrevista à imprensa que as autoridades chinesas chegaram a um acordo com as embaixadas implicadas.
Na última hora da manhã, três miniônibus saíram da embaixada espanhola, onde os 25 norte-coreanos 14 adultos e 11 menores tinham entrado na véspera.
Com o apoio de um grupo internacional de ajuda aos refugiados norte-coreanos, disseram que não deixariam a embaixada até conseguir o asilo político na Coréia do Sul.
A China preferiu autorizar sua saída através de um terceiro país para não indispor-se com o regime stalinista norte-coreano, que tem em Pequim seu principal aliado, apesar de um certo esfriamento de suas relações na última década.
Um diplomata asiático explicou que a China não quis ofender a Coréia do Norte, mas considerou mais importante não se indispor com a comunidade internacional neste assunto humanitário.
As autoridades chinesas são cada vez mais conscientes do impacto negativo das críticas dos grupos de defesa dos direitos humanos, que acusam Pequim de ter repatriado pela força durante os últimos anos milhares de norte-coreanos que fugiam da fome e da perseguição política, apesar das represálias sofridas em seu retorno.
Segundo várias ONGs da Coréia do Sul, entre 200.000 e 300.000 norte-coreanos se refugiaram nos últimos anos no Nordeste da China, onde organizações beneficentes sul-coreanas lhes oferecem um certo auxílio.
Esses refugiados vivem em condições extremamente precárias e correm o risco contínuo de ser repatriados.
Para os norte-coreanos, a China não é um lugar seguro. A polícia secreta da Coréia do Norte e as autoridades chinesas os perseguem, explicou Lee Young-Hwa, representante de uma ONG com sede no Japão.
A China não considera os norte-coreanos como refugiados e sim como imigrantes ilegais.
Muitos levam uma vida errante, expostos às denúncias, sem poder encontrar emprego, enquanto as dificuldades econômicas empurram alguns deles a vender suas filhas a proxenetas.


