Chile deve julgar Pinochet, diz FHC
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Luiz Antônio Ryff e João Batista Natali Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que tem horror a ditadores, especialmente ao general da reserva chileno e senador vitalício Augusto Pinochet, detido em Londres, mas afirmou que, mesmo assim, ele deve ser julgado em seu país. Tenho horror a ditadores, principalmente aos que matam e utilizam a tortura. Não tenho motivo para mudar minha opinião, em particular sobre essa pessoa (Pinochet) que está sendo afetada pela decisão inglesa (de dar curso ao processo de extradição do general para a Espanha). Não tenho nenhuma razão para defendê-lo, mas cabe ao Chile tomar as decisões, afirmou FHC no encerramento da 15ª Reunião de Cúpula do Mercosul, ontem no Rio, com presidentes dos países-membros do mercado do Cone Sul.
O presidente chileno, Eduardo Frei, presente ao encontro econômico, salientou que cada nação tem um ritmo próprio para conduzir sua transição política, comparando seu país com a Espanha - fazendo alusão ao governo de mão-de-ferro do ditador Francisco Franco, entre 1939 e 1975 - e com a Inglaterra - referência ao processo de paz na Irlanda do Norte. Quando estive na Espanha, pude recordar aos espanhóis de má memória o seu processo de transição, afirmou Frei.
O presidente argentino, Carlos Menem, foi mais explícito, criticando Baltasar Garzón (o juiz espanhol que pede a extradição de Pinochet) por não ter julgado nenhum aliado de Franco. Frei pediu que o processo de transição e a soberania chilena sejam respeitados. Os governantes africanos que visitam a Europa não têm um histórico de democracia muito limpo e são recebidos com todas as honras, afirmou o governante.
Pela manhã, Fernando Henrique disse que foi em defesa de um princípio de direito, e não por um apego menor aos direitos humanos, que o Brasil aderiu ao protesto no caso da extradição de Pinochet. O comunicado conjunto que Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia assinaram ontem no Rio condena a aplicação extraterritorial de qualquer lei, apelando para a manutenção da soberania de cada Nação.
A consideração de Fernando Henrique foi uma maneira indireta de criticar a Grã-Bretanha por ter dado prosseguimento ao processo de extradição aplicando uma lei interna para o tratamento de crimes ocorridos fora de seu território. (Leia mais na Pág. 10; e em Folha Economia sobre o encontro do Mercosul).


