Cheques mostram negócios de Paolicchi
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de novembro de 2000
Da Redação 
A lista que está circulando em Maringá, de pessoas e empresas beneficiadas por cheques de Waldemir Ronaldo Corrêa, assessor do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado de desviar R$ 3,1 milhões dos cofres da prefeitura, revela um amplo leque de distribuição de recursos. Dois políticos de Maringá estão na lista. Os desvios, segundo fonte da Folha, podem alcançar R$ 100 milhões.
O dinheiro desviado da Prefeitura de Maringá serviu para pagar as mais diversas despesas, desde compra de tecido até locação de aviões, sem contar com o próprio Paolicchi, que aparece como beneficiário de 17 cheques totalizando R$ 487 mil. Waldemir Corrêa, apontado como simples intermediário do desvio, recebeu 21 cheques, que somam R$ 264 mil. A Mineradora Rainha, de propriedade de Paolicchi, também aparece na lista, com oito cheques, totalizando R$ 96.550.
Chama atenção o nome de Abdias Francisco Santos, que aparece como tendo recebido um cheque de Corrêa em 12 de janeiro do ano passado, no valor de R$ 10,5 mil. No dia 8 de fevereiro do mesmo ano, dois cheques de R$ 10 mil e de R$ 11 mil, aparecem em nome de Abdias Ferreira Santos. A Folha conseguiu localizar um aposentado de nome Abdias Francisco dos Santos, em Campo Grande (MS). Com o nome de Abdias Ferreira Santos não existe registro de telefone no serviço de informações.
O aposentado Abdias Francisco dos Santos conta que nunca teve contato com Paolicchi ou Corrêa. Ele trabalhava no comércio até se aposentar, em 1991, e hoje atua como líder comunitário e vigia de uma quadra de esportes no bairro onde mora, que não identificou. Santos garante ainda que sabe mais um menos onde fica Maringá e nunca ouviu falar em Nova Mutum (MT), onde Paolicchi tem propriedades rurais. A última vez que eu estive em um sítio foi quando era criança e trabalhava na enxada, contou.
Outros nomes que estão na lista, mas que não foram localizados pela Folha, podem ser pessoas de fora de Maringá e das regiões onde Paolicchi tem negócios. O maior cheque emitido para terceiros, de R$ 115 mil, em 25 de janeiro do ano passado, está nominal para Edivaldo de tal. Alguns estão em nome de empresas desconhecidas pelo menos em Maringá. Muitos estão com o nome do beneficiário ilegível.
Dois políticos, o vereador Manoel Batista da Silva Júnior (PTB), o Dr. Batista, que disputou a Prefeitura de Maringá no segundo turno, e o deputado estadual Divanir Bras Palma (PST), também estão na lista. Batista aparece como credor de um cheque de R$ 5 mil em 23 dezembro de 98 e Bras Palma com o mesmo valor cinco dias depois. Os dois alegam que receberam o dinheiro em apoio à campanha pela Assembléia Legislativa. Já conversei com o promotor sobre o assunto, disse Bras Palma depois de prestar depoimento ao promotor José Aparecido da Cruz, na sexta-feira.
O arquiteto Claudinei José Vecchi, de Maringá, que aparece como beneficiário de quatro cheques que totalizam R$ 93,8 mil, disse à Folha que realizou vários projetos para Paolicchi, e acha que recebeu mais cheques do ex-secretário. Shirlei Pereira, da Construtora Atenas, empresa que está na lista como beneficiária de um cheque de R$ 34 mil em dezembro de 1998, alega que o valor é referente a parte da obra da mineradora. Ela conta que a Atenas fez o projeto e iniciou a obra, mas não soube informar quem concluiu a construção.


