Cheques iam para a conta de Bonilha
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sábado, 29 de novembro de 1997
Cláudia Lopes 
Mário César/Folha de LondrinaRetirada estratégicaVereador Orlando Proença (Bonilha) recebia doações de funcionários O assessor do vereador Orlando Soares Proença (Bonilha) (PDT), pastor José Maria Góes, disse ontem que alguns funcionários, indicados pelo vereador para trabalhar na Comurb (Companhia Municipal de Urbanização), depositavam cheques de seus pagamentos em sua conta do Banco do Brasil e também na conta de Bonilha. Segundo Góes, estes funcionários não dispunham de conta corrente em banco. Eles depositavam os cheques da Comurb na minha conta e eu dava cheques meus. Na verdade, eu trocava os cheques destes companheiros, diz. Só que o pastor afirma que os cheques assinados por ele eram de valores menores do que os da Comurb porque estes funcionários colaboravam com o vereador. Estes companheiros doavam dinheiro para ajudar o Bonilha
O pastor garante que as sobras destas operações eram repassadas para o vereador Bonilha. Ele não quis explicar por que os funcionários da Comurb davam dinheiro para Bonilha. O salário bruto de um vereador é de R$ 4.570. O salário do assessor Góes é de cerca de R$ 1.370. O pastor disse que será ouvido novamente pelo promotor especial de Defesa do Patrimônio Público Bruno Galatti, que investiga as contratações irregulares na Comurb, e que ficou de apresentar ao promotor os extratos de sua conta do Banco do Brasil.
Não lembro quantos cheques foram depositados em minha conta e nem quais os nomes dos funcionários. Desconfio que tenho um do Herivelto Dutra de Pádua mas tenho que conferir, disse. Entre os funcionários indicados pelo vereador para trabalhar na Comurb, está sua esposa, Luciana Silva Menezes, seu irmão, Luiz Proença, seu cunhado, Carlos Alberto de Pádua, além de Herivelto Dutra de Pádua.
Em entrevista concedida à Folha anteontem, o vereador Bonilha havia afirmado não ter recebido nenhum cheque no lugar dos funcionários. Ontem ele se recusou a falar com a reportagem. Bonilha prestou esclarecimentos ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI). O vereador Flávio Vedoato, que preside a CEI, garante que se as irregularidades forem comprovadas, irá pedir a instalação de uma Comissão Processante e propor a cassação de Bonilha. O promotor Bruno Galatti pretende completar o inquérito até o dia 15, dia da última sessão ordinária da Câmara.


