Cheques complicam mulher de deputado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de novembro de 2000
Lino Ramos de Londrina 
Documentos do Ministério Público (MP) revelam que Stael Fernanda Rodrigues, mulher do deputado federal José Janene (PPB), emitiu sete cheques em nome de João Bosco, no total de R$ 53.300. Ex-funcionário do deputado, Bosco é testemunha no processo do caso AMA/Comurb. Para Janene, o depoimento de Bosco não têm sentido porque ele tem a capacidade mental diminuída. As informações sobre a movimentação financeira de Fernanda estão na ação inicial apresentada pelo MP contra Janene e mais 22 pessoas.
A quebra do sigilo bancário de Fernanda foi determinada pela 4ª Vara Criminal de Londrina. Segundo o advogado Antonio Carlos de Andrade Vianna, não há ilegalidade nessa operação e Bosco apenas trocava os cheques para Fernanda. Qual é a ilegalidade nisso? Nenhuma mulher de empresário vai ao caixa bancário enfrentar fila de duas horas, argumentou.
Em agosto de 98, a Mercoluz, empresa ligada a Janene e que prestou serviços suspeitos à Prefeitura de Londrina, depositou R$ 26.110 diretamente na conta de Fernanda. O funcionário da empresa, Júlio César Almerón Filho, também depositou R$ 37.370 para a mulher do deputado. O dinheiro que transitava na conta de Stael Fernanda efetivamente era transferido, depois, para José Janene, como retrata o cheque de folha 5.569 no valor de R$ 17.780, afirma o MP. Para Vianna, os pagamentos foram legais. A Mercoluz tem um contrato de locação com Janene que está em seu imposto de renda. Qual é a ilegalidade?.
Fernanda também emitiu um cheque de R$ 5 mil para o vereador Osvaldo Gergamin Sobrinho (PMDB). Ele se defende: Eram negócios com o vereador. E se o Zé Janene ajudou o vereador, qual seria a ilegalidade?. Segundo Vianna, o MP deveria provar que o dinheiro da Comurb foi parar nas contas de Fernanda. Isso eles não provam, há seis meses estão com quatro volumes de movimentação bancária e não provam nada, criticou.


