Documentos do Ministério Público (MP) revelam que Stael Fernanda Rodrigues, mulher do deputado federal José Janene (PPB), emitiu sete cheques em nome de João Bosco, no total de R$ 53.300. Ex-funcionário do deputado, Bosco é testemunha no processo do caso AMA/Comurb. Para Janene, o depoimento de Bosco não têm sentido porque ele tem a ‘‘capacidade mental diminuída’’. As informações sobre a movimentação financeira de Fernanda estão na ação inicial apresentada pelo MP contra Janene e mais 22 pessoas.
A quebra do sigilo bancário de Fernanda foi determinada pela 4ª Vara Criminal de Londrina. Segundo o advogado Antonio Carlos de Andrade Vianna, não há ilegalidade nessa operação e Bosco apenas trocava os cheques para Fernanda. ‘‘Qual é a ilegalidade nisso? Nenhuma mulher de empresário vai ao caixa bancário enfrentar fila de duas horas’’, argumentou.
Em agosto de 98, a Mercoluz, empresa ligada a Janene e que prestou serviços suspeitos à Prefeitura de Londrina, depositou R$ 26.110 diretamente na conta de Fernanda. O funcionário da empresa, Júlio César Almerón Filho, também depositou R$ 37.370 para a mulher do deputado. ‘‘O dinheiro que transitava na conta de Stael Fernanda efetivamente era transferido, depois, para José Janene, como retrata o cheque de folha 5.569 no valor de R$ 17.780’’, afirma o MP. Para Vianna, os pagamentos foram legais. ‘‘A Mercoluz tem um contrato de locação com Janene que está em seu imposto de renda. Qual é a ilegalidade?’’.
Fernanda também emitiu um cheque de R$ 5 mil para o vereador Osvaldo Gergamin Sobrinho (PMDB). Ele se defende: ‘‘Eram negócios com o vereador. E se o Zé Janene ajudou o vereador, qual seria a ilegalidade?’’. Segundo Vianna, o MP deveria provar que o dinheiro da Comurb foi parar nas contas de Fernanda. ‘‘Isso eles não provam, há seis meses estão com quatro volumes de movimentação bancária e não provam nada’’, criticou.

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