Cheida processa sindicalista
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segunda-feira, 16 de dezembro de 1996
Patrícia Zanin<br> Da Redação 
A falta de caixa da Prefeitura de Londrina para pagamento do salário de dezembro e do 13º do funcionalismo aumentou o clima de guerra entre o prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT) e o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), Gláudio Renato de Lima. O Sindicato tem mais de 3 mil filiados e está convocando assembléia para o dia 20. A ameaça é de cruzar os braços caso o 13º salário não saia até aquela data.
A tensão entre as duas partes aumentou semana passada, quando o Sindiserv denunciou que a prefeitura pretendia fazer a rescisão de contrato dos secretários municipais e cargos de confiança no dia 10, antes de pagar o 13º do funcionalismo. O prefeito não gostou e está movendo uma ação contra Lima para que ele explique as denúncias na Justiça. Isso é injúria, é calúnia. Nos cinco meses em que atrasamos os salários dos funcionários, o prefeito e os secretários sempre foram os últimos a receber. Não é agora que vai ser diferente, alega o prefeito.
O sindicalista diz que só fala em juízo sobre o assunto. Mas afirma que em valores, só na administração direta seriam R$ 468 mil para 67 pessoas. A folha de pagamento da prefeitura hoje é de R$ 4,5 milhões.
Gláudio de Lima distribuiu nos murais e ao lado dos relógios-ponto um informativo Sindiserv, em que reclama do atraso no pagamento da primeira parcela do 13º e critica a decisão do prefeito em processá-lo. Semana passada, o Sindserv também colocou duas faixas em frente à prefeitura: Natal chegando, 13º faltando, mas para as empreiteiras sobrando, dizia uma. Elas sumiram no mesmo dia.
Cheida garante que não mandou retirá-las. Devem ter caído com o vento e a chuva, diz. Mas Lima diz ter ido buscá-las no gabinete do prefeito.
A troca de acusações entre eles também tem sido comuns. Mas Lima e Cheida têm algo em comum. O sindicalista diz que sua preocupação é garantir o 13º e o salário de dezembro do funcionalismo. No discurso, o prefeito também jura que está empenhado para viabilizar a folha. Não adianta marcar assembléia. O sindicato poderia e deveria estar ajudando a prefeitura a obter recursos com a venda das ações do Sercomtel, mas não se mobilizou para nada. Foi tímido e apenas conversou com o juiz da 4ª Vara Cível, ataca Cheida. A prefeitura sequer sabia que o juiz da 4ª Vara havia sido nomeado. Precisou o Sindicato cutucar a administração, rebate Lima.
Ele lembra que esta não foi a primeira vez que o prefeito acusou o sindicato de desmobilização. No primeiro semestre, quando a categoria se preparava para uma paralisação por atraso no pagamento de salários, o prefeito disse que o Sindicato criticava, mas não apresentava alternativas. Gláudio de Lima afirma que o Sindserv encomendando um estudo ao Dieese (Departamento Intersindical de Economia e Estatística) que previa uma economia de até R$ 1 milhão por mês aos cofres municipais.
Entre as sugestões estavam a fusão de autarquias, extinção de secretarias, fim da hora extra e do aditivo contratual, não pagamento de juros aos bancos e de estágio remunerado. Na sexta-feira, Cheida anunciou que o 13º do funcionalismo será pago. A pendência fica em relação ao salário de dezembro.
Foram contratados 1.208 servidores na atual gestão. O secretário de Recursos Humanos Carlos Alberto Hirata diz que são 789 novos servidores na administração direta e 419 na indireta.


