Cheida pede liminar contra Pesquisa Folha
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
Da Redação 
O candidato Luiz Eduardo Cheida (PMDB), através da Coligação Londrina para Todos, ingressou na Justiça Eleitoral local na sexta-feira passada, com um pedido de liminar para vetar o uso, pelos seus adversários, dos resultados da Pesquisa Folha. A pesquisa foi divulgada no dia 20, mostrando a tendência do eleitorado de Londrina para a eleição de prefeito em 1º de outubro.
De acordo com a pesquisa própria da Folha de Londrina/Folha do Paraná, um serviço inédito entre os jornais do Estado, Cheida está em 3º lugar nos indicativos de intenção de voto (com 5,1% na espontânea e 11,4% na estimulada). O primeiro lugar é de Luiz Carlos Hauly (PSDB), com 19,6% na espontânea e 27,4% na estimulada; o segundo é de Barbosa Neto (PDT), com 12,2% na espontânea e 17,7% na estimulada. O candidato Farage Kouri (PFL) tem 3,8% na espontânea e 7% na estimulada, ficando em quarto, e Nedson Micheleti recebeu 2,3% na espontânea e 4,4% na estimulada, ficando em quinto lugar.
A alegação de Cheida é de que o resultado da pesquisa diverge frontalmente do pedido de registro da consulta, feito na Justiça Eleitoral, de acordo com as exigências da legislação em vigor. O advogado da coligação, Adelmar Pasternak, explicou que quando uma empresa faz o registro na Justiça Eleitoral, apresenta um plano amostral da consulta. Ele alega, porém, que o plano amostral registrado não confere com o que foi divulgado.
Como exemplo, Pasternak cita a amostragem por sexo. Segundo ele, a Folha declarou no registro que a consulta seria na proporção de 51% do sexo masculino e 49% do sexo feminino. Porém, na divulgação, foram entrevistados 13% de pessoas a mais do sexo feminino,
A distribuição por idade, na pesquisa, é outro ponto questionado. Segundo Pasternak, no plano amostral, havia sido informado que 12% das entrevistas seriam com pessoas acima de 45 anos. Mas na realização da pesquisa, 37,5% dos entrevistados tinham mais de 46 anos, observou. O advogado disse ainda que a Folha estratificou a população eleitoral segundo o nível sócio-econômico, mas realizou a pesquisa perguntando a renda familiar. É uma diferença grande, já que foi levado apenas em consideração o fator econômico, afirmou.
Pasternak disse que a coligação recorreu à Justiça para evitar que outros candidatos, principalmente os que estão em vantagem, usem a pesquisa durante o programa eleitoral gratuito. Causa uma falsa idéia dos índices das pesquisas na população eleitoral, justificou.
A Pesquisa Folha, iniciativa inédita entre os jornais do Paraná, já fez uma rodada de consulta em Londrina e Curitiba, com a respectiva divulgação. Pelo projeto, será avaliada a intenção de votos dos eleitores, para prefeito, além de Curitiba e Londrina os dois primeiros colégios eleitorais do Estado em Ponta Grossa, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel. A divulgação será nos próximos dias.
No dia seguinte à divulgação da pesquisa de Londrina, a Folha publicou a repercussão dos números entre os candidatos. Na edição do dia 21, Cheida disse não estar preocupado com o fato de ter aparecido em terceiro lugar: É importante dizer que não tinha tido oportunidade de colocar o nome na rua, enquanto o PSDB, o PFL e o PDT já estavam com out doors, cabos eleitorais e carros de som.
Cheida afirmou ainda acreditar que depois de 15 ou 20 dias do programa eleitoral gratuito na TV é que poderia se dizer qual a tendência do eleitorado.
A Folha já recebeu a notificação para apresentar sua defesa e em seguida a Justiça Eleitoral se pronunciará a respeito. O Juiz José Cichocki Neto indeferiu o pedido de liminar contra a utilização dos resultados da pesquisa.


