Candidatos ligados a políticos tradicionais de Londrina, como Antonio Carlos Belinati (PP) e Luiz Hauly (PSDB), e os sete vereadores da cidade que se candidataram a uma vaga de deputado estadual não conseguiram a tão esperada cadeira na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná.
Filho do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (PP), Belinatinho já foi deputado estadual e, no domingo, foi o segundo mais votado em Londrina (22,6 mil votos na cidade e 28,5 mil no Estado), atrás apenas de Tercílio Turini (PPS), que fez 28 mil votos em Londrina e 47 mil em todo o Paraná e se elegeu. Ex-prefeito de Londrina, o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), que em 2010 obteve 48.247 votos, agora fez quase 20 mil votos a menos e não garantiu a reeleição. Em Londrina, ele foi o terceiro mais votado, com 17,4 mil votos. A reportagem tentou falar com o peemedebista, mas nem ele nem a assessoria atenderam as ligações. Antonio Carlos Salles Belinati estava com o telefone celular desligado.
Luiz Hauly, filho do deputado federal reeleito Luiz Carlos Hauly (PSDB), foi o quarto mais votado em Londrina: fez quase 15 mil votos na cidade e 31,8 mil no Estado. Ele se disse "grato" pela votação, que o colocou na terceira suplência da chapa, mas atribuiu o resultado à "chapa pesada" e ao grande número de candidatos da cidade, que acabou "pulverizando" a votação. "Acho que ficou provado que sobrenome não elege ninguém. Se fosse isso, eu estaria eleito."
Ratinho Júnior (PSC), o campeão de votos no Paraná, obteve 11,1 mil votos em Londrina, o quinto mais votado na cidade, seguido de Emerson Petriv (PSC), o Boca Aberta, que fez 10,2 mil votos no segundo maior colégio eleitoral do Estado. Quanto à votação dos vereadores londrinenses, eles sequer conseguiram fazer mais votos que Boca Aberta, desafeto de praticamente toda a Câmara Municipal.
A vereadora Lenir de Assis (PT) foi a parlamentar municipal mais votada (com 9,9 mil votos em Londrina e 13,4 mil no Paraná), seguida do presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), com 10,2 mil votos. Na lista também estão Gustavo Richa (PHS), Júnior dos Santos Rosa (PSC) e Emanoel Gomes (PRB), que estão na primeira legislatura, ou seja, nem cumpriram metade do primeiro mandato. Os dois vereadores menos votados foram Padre Roque (PR) e Gaúcho Tamarrado (PDT). Também chama a atenção a votação do ex-vereador Tito Valle (PMDB), que não chegou a 1,8 mil votos.
Também fizeram número considerável de votos na cidade o ex-prefeito de Cambé Zé do Carmo (PTB), 3 mil votos, e o também cambeense Gilberto Martin (PMDB), 2,7 mil votos. Professor Galdino (PSDB), candidato com domicílio eleitoral em Curitiba que passou alguns dias fazendo campanha na Calçadão de Londrina, fez 2,2 mil votos na cidade. Nenhum dos três se elegeu.

VITORIOSOS
Turini, que chegou a cogitar desistir da disputa, tornou-se um dos dois representantes de Londrina na AL, junto com Tiago Amaral (PSB). "Logo no começo, ainda nas convenções, o cenário já projetava que seria uma eleição complicada em razão do número de candidatos." Turini lembra, contudo, dos nomes da região. "Em 2010, foram eleitos um deputado de Arapongas (Waldir Pugliesi, PMDB), um de Cambé (Durval Amaral, DEM) e um de Londrina (Cheida, PMDB)." Citando os três eleitos no domingo, Turini disse que "agora ficou no mesmo tamanho, comigo, o Tiago Amaral, que era de Cambé e transferiu o domicílio para Londrina nestas eleições, e o Cobra Repórter, que é de Rolândia."
Sobre a mobilização de entidades para que o eleitor vote em candidatos locais, o parlamentar comentou que pouco resultado terá no atual sistema. "O eleitor até pode votar, mas são muitos candidatos e os votos são diluídos". Para o pepessista, a baixa representatividade política da cidade se deve ao "modelo eleitoral ultrapassado que nós temos".
Entre os eleitos, Tiago Amaral é o quarto candidato a deputado estadual que mais recebeu voto em Londrina, cidade em que nasceu. Apesar disso, diz que tem de focar em todas as que obteve boa votação e fala numa representação voltada para o Norte do Paraná. Ele é filho do ex-deputado estadual pelo DEM Durval Amaral, que já foi secretário no governo Beto Richa (PSDB) e hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Sobre a votação expressiva que obteve – foi o terceiro melhor colocado no Paraná – ele atribui não à tradição da família na política, mas no trabalho que tem realizado com municípios. "Sou advogado com especialização em gestão pública. Trabalho dando assessoria para obter recursos a municípios junto a bancos", conta o deputado de 28 anos eleito pela primeira vez.

Imagem ilustrativa da imagem Cheida, ‘herdeiros’ e vereadores saem derrotados
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